Redes Sociais

Fábio Rocha

Ainda somos grandes, apesar dos dirigentes

Publicado

em

O MITO DA TORCIDA PEQUENA

Quantas vezes você já escutou o mantra “o Botafogo não tem torcida” até de certos órgãos da imprensa inescrupulosos? Vou provar a você que isto é uma mentira (ainda estamos entre as 12 maiores do país), embora necessitemos de títulos de expressão nacional. Mas essa mentira repetida 1.000 vezes, em tempos de mídias sociais, pode virar verdade o que é péssimo e com uma extensão muito mais danosa do que uma simples zoação.

Sim, num futebol cada vez mais profissional, torcida menor significa menores patrocínios, verbas publicitárias e contratos de transmissão de TV.

JÁ FOMOS MAIORES?

O Botafogo desde o seu surgimento não tinha uma grande torcida comparada aos rivais e ao contrário do que possa parecer, cresceu muito, principalmente embalada pelos títulos e verdadeiros times de craques nas décadas de 50 e 60.

Como sempre, em qualquer clube, e não fugimos a esta regra, uma torcida só cresce com títulos e ídolos.

Talvez o maior exemplo disto seja o São Paulo Futebol Clube: no fim da década de 70 o tricolor paulista tinha a quarta torcida do estado, atrás inclusive do Santos e hoje após os 3 títulos mundiais, 6 títulos nacionais e alguma pequena constelação de ídolos cuja expressão máxima encarna Rogério Ceni,  tem a terceira maior torcida do país, status alcançado já há mais de 15 anos.

CARACTERÍSTICAS UNICAMENTE BRASILEIRAS

Além da já citada influência de títulos e ídolos, o Brasil possui uma característica só sua, diferente dos outros países que como nós são os principais no mundo do futebol (europeus, Argentina e Uruguai): crescimento populacional.

Basta lembrar que em 1970 tínhamos 90 milhões de habitantes e hoje somos mais de 200 milhões. Esta variação explosiva faz com que o crescimento ou o encolhimento de uma torcida se processe numa velocidade muito maior no Brasil, do que em qualquer outro lugar.

E O BOTAFOGO COMPARADO AOS RIVAIS DO RIO DE JANEIRO?

Vamos considerar algumas pesquisas de Institutos especializados em estatística e examinar os números.

Pesquisa IBOPE em 1954 na cidade do Rio de Janeiro

Flamengo = 28%, Fluminense = 18%, Vasco = 17%, América = 6%, Botafogo = 5%, Bangu = 2%, São Cristóvão = 1% e nenhum time = 23%.

Constatação: nossa torcida era menor que a do América e cerca de ¼ da população nem torcia por futebol.

Pesquisa Gallup em 1971 na cidade do Rio de Janeiro

Flamengo = 35%, Vasco = 18%, Fluminense = 16%, Botafogo = 14%, América = 3%, São Cristóvão = 1% e nenhum time = 12%.

Constatação: após os esquadrões dos anos 50 e 60, a nossa torcida fica praticamente do tamanho da do Fluminense, a do América encolhe incrivelmente e a do Bangu some, ambas por falta de títulos e administrações desastrosas. Agora quase 90% da população se declara torcedora de algum time, obviamente porque entre 1958 e 1970 ganhamos 3 títulos mundiais.

Pesquisa Gallup em 1983 na região metropolitana do Rio de Janeiro

Flamengo = 54%, Vasco = 15%, Fluminense = 14%, Botafogo = 10%, América = 2%, Americano = 1%, Bangu = 1%, diversos = 2% e nenhum time = 1%.

Constatação: com apoio maciço da mídia e o futebol virando atração em horário nobre numa televisão cada vez mais acessível, o Flamengo dá um salto inédito com a sua “época de ouro” no final dos anos 70 e começo dos anos 80. Nós encolhemos por conta de um longo jejum sem títulos. Agora todo mundo afirma que torce por algum time, mesmo que não acompanhe muito bem.

Pesquisa IBOPE em 1998 no estado do Rio de Janeiro

Flamengo = 44%, Vasco = 19%, Fluminense = 10%, Botafogo = 9% e diversos = 16%.

Constatação: Vasco se consolida como segunda torcida do estado após um período de muitos títulos estaduais e títulos nacionais. Após uma queda, começamos a nos recuperar depois de alguns títulos estaduais e o Brasileiro de 1995. Clubes tradicionais como América, Bangu e São Cristóvão não merecem nem destaque e estão na classificação de “outros” devido à interiorização do futebol no estado (Americano, Goytacaz, Volta Redonda etc.) e a importância crescente dos campeonatos nacionais: Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG passam a ser citados na pesquisa.

Pesquisa IBOPE em 2010 no estado do Rio de Janeiro

Flamengo = 45%, Vasco = 18%, Fluminense = 10%, Botafogo = 9% e diversos = 18%.

Constatação: Após o movimento iniciado nos anos 90 de uma cobertura maciça do futebol e os clubes, com maior ou menor sucesso, buscando projetar-se na mídia, não houve nenhuma mudança relativa substancial.

MAS QUAL O TAMANHO DA NOSSA TORCIDA E COMO ESTAMOS ENTRE OS GRANDES CLUBES BRASILEIROS?

RIO DE JANEIRO

Primeiro, vamos nos ater aos percentuais já divulgados para o Rio de Janeiro e a evolução populacional ao longo dos anos das pesquisas:

1954 = 5% de botafoguenses no Rio de Janeiro = 235.000 torcedores no estado

1971 = 14% de botafoguenses no Rio de Janeiro = 1.260.000 torcedores no estado

1983 = 10% de botafoguenses no Rio de Janeiro = 1.200.000 torcedores no estado

1998 = 9% de botafoguenses no Rio de Janeiro = 1.300.000 torcedores no estado

2010 = 9% de botafoguenses no Rio de Janeiro = 1.450.000 torcedores no estado

BRASIL 

Qualquer pesquisa séria neste sentido, demonstra que o Botafogo possui um percentual maior de torcedores fora do seu estado de origem (algo como 52% fora do Rio e 48% dentro do Rio).

Vamos examinar os números de duas pesquisas nacionais com as 13 principais torcidas do país (1983 – Gallup e 2014 – IBOPE):

Flamengo = 29% (1983) 16% (2014) – 32 milhões
Corinthians = 15% (1983) 14% (2014) – 28 milhões
São Paulo = 4% (1983) 7% (2014) – 14 milhões
Palmeiras = 7% (1983) 5% (2014) – 10 milhões
Vasco = 6% (1983) 4% (2014) – 8 milhões
Atlético MG = 5% (1983) 4% (2014) – 8 milhões
Cruzeiro = 3% (1983) 3% (2014) – 6 milhões
Grêmio = 3% (1983) 3% (2014) – 6 milhões
Internacional = 3% (1983) 3% (2014) – 6 milhões
Santos = 6% (1983) 2% (2014) – 4 milhões
Botafogo = 4% (1983) 2% (2014) – 4 milhões
Bahia = 3% (1983) 2% (2014) – 4 milhões
Fluminense = 3% (1983) 2% (2014) – 4 milhões

Constatação: A maior parte dos nossos torcedores está fora do estado. A nossa torcida está entre as 10/13 maiores do país, mas tem uma idade média elevada comparada a outras, em função da escassez de títulos nacionais.

Projeção: Dentro de no máximo 5 anos necessitamos de títulos de expressão nacional senão correremos um sério risco de vermos nossa torcida diminuir, até pelo processo de envelhecimento e não motivação de jovens e perder projeção nacional para outras, como já perdeu ao longo dos anos 90 e 2000 para Cruzeiro, Grêmio e Internacional.

Saudações Alvinegras.

crédito da foto: Lance

Clique para Comentar
Continuar Lendo

Newsletter

Anúncio Patrocinado

Facebook

Copyright © 2019 Rádio Botafogo. Todos os Direitos Reservados.

%d blogueiros gostam disto: