Botafogo x Santos: 100 anos do maior clássico do mundo

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Dois dos maiores times do mundo das décadas de 50 e 60, hoje estão em baixa. História registra mais de 100 jogos, 300 gols, cinco decisões e até mesmo título divido.

O clássico mundial Botafogo x Santos completa 100 anos de história em 2018, e o primeiro confronto no ano do centenário será neste sábado, às 16h (de Brasília), no Estádio Nilton Santos. Principais times do Brasil no passado, hoje andam em baixa, com decepções em campo, demissões de técnicos e envelhecimento do torcedor. Considerados os melhores times da época e atraindo multidões para os estádios, o clássico interestadual chegou a ser chamado de “o maior jogo do mundo” pelo jornalista Ney Bianchi, da extinta revista “Fatos e Fotos”. A repercussão era tanta, que emissoras de televisão passaram a abrir as transmissões dos jogos para outros estados, algo raro naqueles tempos.

Revista “Fatos e Fotos” chamou clássico em 1963 de “maior jogo do mundo” (Foto: Reprodução)

Os alvinegros de General Severiano e da Vila Belmiro têm muito mais em comum além das cores, das camisas com listras verticais e da proximidade com o mar. Uma história que começou em 14 de abril de 1918, dia do aniversário do Santos, que venceu a partida. De lá para cá, já foram realizados 107 jogos, marcados 337 gols, disputadas cinco “finais”, revelados dois dos maiores jogadores de todos os tempos e garantidos três títulos mundiais para a Seleção.

Isso mesmo, sem nenhum exagero. Quando o Brasil conquistou suas primeiras Copas do Mundo, em 1958, 1962 e 1970, a base da equipe era formada pelos dois clubes. Por exemplo, na final da Taça Brasil – uma das precursoras do Campeonato Brasileiro) – de 1962, havia 11 jogadores da Seleção em campo, sendo oito titulares e três reservas. Pelo Botafogo, Garrincha, Nilton Santos, Amarildo e Zagalo. Pelo Santos, Pelé, Gilmar, Mauro, Zito, Mengálvio, Coutinho e Pepe.

Pelé e Garrincha são os maiores símbolos do “Maior Classico do Mundo”.

Títulos e rivalidade

Botafogo e Santos eram não só as melhores equipes do Brasil, como foram consideradas entre as mais fortes do planeta, e por isso eram convidadas para participar de torneios em outros países. Foi assim que os dois clubes decidiram o primeiro título em La Coruña, na Espanha, em 1959: o Troféu Teresa Herrera, uma das competições de verão de maior prestígio na Europa. E o Peixe levou a melhor, ficando com a taça após vencer por 4 a 1.

Em 1966, o Botafogo deu o troco em Caracas, na Venezuela. Foi no Torneio Círculo de Periódicos Deportivos, competição de tiro curto jogada anualmente no país, entre os anos 50 e 70, e que representou uma precursora dos atuais Mundiais de Clubes da Fifa. O Glorioso venceu os dois jogos contra o Santos, por 2 a 1 e 3 a 0, e ergueu a troféu. No Brasil, houve ainda mais três “finais”: a Taça Brasil de 1962, a Taça Rio-São Paulo de 1964 e o Campeonato Brasileiro de 1995.

Botafogo x Santos fizeram jogos históricos em diferentes palcos no mundo.

Apesar da polarização dos clubes na época, não havia grande rivalidade entre eles, tampouco de cariocas e santistas. Tanto que o Peixe fez do Rio de Janeiro sua casa em vários jogos e disputou até final de Libertadores no Maracanã. Mas os nervos à flor da pele, típicos de clássicos, apareceram mesmo na final da Taça Rio-São Paulo de 1964. Após terminarem empatados, o título seria decidido em uma melhor de três partidas. O Botafogo ganhou a primeira por 3 a 2 com muita confusão.

O Santos chegou a empatar o jogo, mas a arbitragem anulou alegando que a bola não entrou toda, causando a revolta do Peixe. Os jogadores do Botafogo também se indignaram, foram tirar satisfação, e a confusão tomou conta. Pelé, Manga e Paulistinha foram expulsos, e os santistas abandonaram o campo em protesto antes do fim da partida. Faltaria mais duas partidas ainda, mas não houve datas disponíveis para tal, e o título acabou dividido entre as equipes.

E na final do Brasileiro de 1995, o Botafogo foi o campeão após vencer por 2 a 1 no Maracanã e empatar por 1 a 1 no Pacaembu. Mas o jogo em São Paulo foi recheado de erros de arbitragem: o gol de Túlio Maravilha estava impedido; o empate de Marcelo Passos foi após mão de Marquinhos Capixaba; e o que seria o gol da virada, de Camanducaia, em posição legal, foi anulado por impedimento. Jogo que todo santista reclama até hoje…

A série invicta do Botafogo de oito anos (12 jogos) sem perder para o Santos, entre 1965 e 1972, repercutiu muito na época. Eles também foram adversários na abertura do primeiro Campeonato Brasileiro organizado pela CBF em 1971. E a recente troca de Jair Ventura, de General Severiano para a Vila Belmiro, aqueceu um pouco dessa rivalidade que já há muitos anos está adormecida. Até mesmo quando a discussão envolve os maiores ídolos de cada clube: quem foi mais genial?

Garrincha e Pelé

A rivalidade talvez nunca foi tão grande entre os clubes porque Pelé e Garrincha nunca se viram como rivais, e sim como amigos por causa do convívio – e brilho – na Seleção. Nesta semana, o considerado maior jogador de todos os tempos postou em suas redes sociais uma foto ao lado do ex-companheiro, que morreu em 1983, com a mensagem:

– Eu nunca joguei contra ou ao lado de alguém melhor que Garrincha. No campo, éramos companheiros. Fora do campo, éramos irmãos.

De fato, Pelé e Garrincha jogaram muito mais vezes ao lado um do outro do que contra. Por Santos e Botafogo, se enfrentaram apenas 10 vezes, enquanto pelo Seleção atuaram em 40 partidas. Com direito a uma marca memorável: juntos, nunca perderam um jogo. Foram 35 vitórias, cinco empates e dois títulos mundiais, com 10 gols do “Anjo das Pernas Tortas” e 45 do “Rei do Futebol”.

Pelé & Garrincha

  • 18/05/1958 – Brasil 3 x 1 Bulgária
  • 21/05/1958 – Brasil 5 x 0 Corinthians
  • 15/06/1958 – Brasil 2 x 0 União Soviética
  • 19/06/1958 – Brasil 1 x 0 País de Gales
  • 24/06/1958 – Brasil 5 x 2 França
  • 29/06/1958 – Brasil 5 x 2 Suécia
  • 21/03/1959 – Brasil 4 x 2 Bolívia
  • 26/03/1959 – Brasil 3 x 1 Uruguai
  • 29/03/1959 – Brasil 4 x 1 Paraguai
  • 04/04/1959 – Brasil 1 x 1 Argentina
  • 29/04/1960 – Brasil 5 x 0 Egito
  • 01/05/1960 – Brasil 3 x 1 Egito
  • 06/05/1960 – Brasil 3 x 0 Egito
  • 08/05/1960 – Brasil 7 x 1 Malmö
  • 10/05/1960 – Brasil 4 x 3 Dinamarca
  • 12/05/1960 – Brasil 2 x 2 Inter de Milão
  • 16/05/1960 – Brasil 4 x 0 Sporting
  • 21/04/1962 – Brasil 6 x 0 Paraguai
  • 24/04/1962 – Brasil 4 x 0 Paraguai
  • 06/05/1962 – Brasil 2 x 1 Portugal
  • 09/05/1962 – Brasil 1 x 0 Portugal
  • 12/05/1962 – Brasil 3 x 1 País de Gales
  • 16/05/1962 – Brasil 3 x 1 País de Gales
  • 30/05/1962 – Brasil 2 x 0 México
  • 02/06/1962 – Brasil 0 x 0 Tchecoslováquia
  • 02/06/1965 – Brasil 5 x 0 Bélgica
  • 06/06/1965 – Brasil 2 x 0 Alemanha Ocidental
  • 09/06/1965 – Brasil 0 x 0 Argentina
  • 17/06/1965 – Brasil 3 x 0 Argélia
  • 24/06/1965 – Brasil 0 x 0 Portugal
  • 04/07/1965 – Brasil 3 x 0 União Soviética
  • 01/05/1966 – Brasil 2 x 0 Seleção Gaúcha
  • 19/05/1966 – Brasil 1 x 0 Chile
  • 04/06/1966 – Brasil 4 x 0 Peru
  • 08/06/1966 – Brasil 2 x 1 Polônia
  • 21/06/1966 – Brasil 5 x 3 Atlético de Madrid
  • 30/06/1966 – Brasil 3 x 2 Suécia
  • 04/07/1966 – Brasil 4 x 2 Aik
  • 06/07/1966 – Brasil 3 x 1 Malmö
  • 12/07/1966 – Brasil 2 x 0 Bulgária

Pelé x Garrincha

  • 11/05/1957 – Santos 5 x 1 Botafogo
  • 02/03/1958 – Santos 2 x 2 Botafogo
  • 09/04/1959 – Botafogo 2 x 4 Santos
  • 21/06/1959 – Santos 4 x 1 Botafogo
  • 01/04/1961 – Santos 4 x 2 Botafogo
  • 03/01/1962 – Botafogo 3 x 0 Santos
  • 31/03/1963 – Botafogo 3 x 1 Santos
  • 02/04/1963 – Botafogo 0 x 5 Santos
  • 25/04/1964 – Botafogo 1 x 3 Santos
  • 10/01/1965 – Botafogo 3 x 2 Santos

Botafogo – técnico: Bruno Lazaroni

Sem treinador após a demissão de Marcos Paquetá, consequência da derrota por 2 a 1 para o Nacional-PAR, o Botafogo terá à beira do campo Bruno Lazaroni, que jamais havia exercido a função na categoria profissional. Ele é auxiliar permanente do Alvinegro desde janeiro.

Para tentar interromper a sequência negativa no Brasileiro – nos últimos quatro jogos, perdeu três e venceu apenas um -, Lazaroni, de 37 anos, tem dois desfalques para a lateral esquerda. Moisés, com dores no adutor da coxa esquerda, e Gilson, suspenso, não jogam. Yuri é o favorito para assumir a posição, e Jonathan, que ainda atua pelo time sub-20, corre por fora.

Saulo, Marcinho, Joel Carli, Igor Rabello, Yuri; Matheus Fernandes, Rodrigo Lindoso e Valência; Luiz Fernado, Rodrigo Pimpão e Kieza.

Santos – técnico: Cuca

O Santos busca a segunda vitória fora de casa contra o Botafogo. Para isso, Cuca conta com os novos reforços Carlos Sánchez e Derlis González, que foram relacionados para a partida. Inclusive, o primeiro será titular no lugar de Diego Pituca. O paraguaio, por sua vez, é opção no banco. David Braz, que negocia sua ida ao Sivasspor, da Turquia, é baixa ao lado de Eduardo Sasha e Lucas Veríssimo, lesionados. Com isso, Luiz Felipe fará dupla de zaga com Gustavo Henrique.

Vanderlei, Victor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Dodô; Alisson, Carlos Sanches e Renato; Rodrygo, Bruno Henrique e Gabriel.

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