Caso Odebrecht: Ex-presidente é intimado a depor na delegacia

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro intimou o ex-presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, e o ex-diretor executivo, Sérgio Landau, para que compareçam na manhã da próxima terça-feira (14) na 5ª delegacia, no centro da cidade, para prestarem depoimentos.

Os dois são acusados pela atual diretoria de favorecerem a Odebrecht, concessionária do Maracanã, com a interdição do Engenhão (hoje rebatizado de Nilton Santos), em 2013.

A intimação foi realizada graças a uma notícia crime apresentada pela atual diretoria no último mês de outubro. De acordo com o clube, a suspeita ocorre porque, naquele mesmo momento, o Botafogo conseguiu um empréstimo de R$ 20 milhões junto à Odebrecht “em condições suspeitas e com graves prejuízos”, segundo descreve a nota publicada no site oficial na ocasião.

Além da polícia, o Botafogo também procurou o Ministério Público através do promotor Marcelo Muniz Neves, da Promotoria de Investigação Penal (PIP), que enviou um ofício ao juiz comunicando a existência de um inquérito policial. O documento já está, inclusive, inserido ao processo.

O GloboEsporte.com entrou em contato com o advogado Walmer Machado, que representa o Botafogo na ação. Segundo ele, o clube vai provar que o empréstimo foi indevido e ainda pedir uma indenização pelo que o Alvinegro deixou de lucrar.

– Ocorreu, em tese, um pagamento de indenização (R$ 20 milhões) disfarçado de contratos de mútuo, uma vez que, a Odebrecht não é Banco e nem Financeira para emprestar um vultoso valor. O mais curioso de tudo, é que os contratos de mútuo possuem objeto indefinido, ou seja, algo futuro. Sem falar que na época o Botafogo estava, literalmente, quebrado, não tinha a menor condição de conseguir dinheiro na praça. Mas como a Odebrecht é magnânima, emprestou para obter no futuro – disse ele, que completou:

– O valor de R$ 20 milhões se refere a uma indenização pelo que o Botafogo perdeu e deixou de lucrar com a duvidosa e questionável interdição do Engenhão por dois anos, já que é legítimo concessionário.

Procurado pela reportagem, Sérgio Landau disse não saber da intimação e que já falou sobre o assunto. Relembre, abaixo:

– Eu era funcionário do Botafogo, cumpria ordens e tinha uma estrutura. Mas só falam de mim e do Maurício porque a gente não pertence àquela panelinha antiga deles. Cadê os outros? Esse contrato (empréstimo) foi visto pelo jurídico do clube, por vários outros vice-presidentes e eles não são citados? Essa questão da diretoria é pessoal, nada mais do que isso. O que eu tenho que a ver com o fechamento do Engenhão? O maior prejudicado foi a diretoria do Botafogo. Que poder você tem sobre a prefeitura? Quem comunicou a interdição foi o prefeito (Eduardo Paes), pergunta para ele. Tem que acionar o prefeito – disse no último dia 24.

Maurício Assumpção também já havia comentado a acusação (entrevista ao “UOL”)

– Essas denúncias e acusações beiram a inconsequência, o absurdo e a irresponsabilidade. São fruto de um ódio incontrolável e insano aliado à proximidade das eleições no clube. Eu quero e vou falar sobre todas as mentiras que foram disparatadamente dirigidas a minha pessoa, mas o farei no momento e fórum adequados.

Entenda o caso

O Botafogo apresentou no último dia 26 uma notícia crime contra o ex-presidente Maurício Assumpção. Ele é acusado de favorecer a Odebrecht, concessionária do Maracanã, com a interdição do Nilton Santos em 2013. Entre os citados na denúncia está Benedicto Barbosa da Silva Júnior, campeão de delações na Lava Jato.

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura delatou 30 pessoas na Lava Jato, um recorde na operação. O GloboEsporte.com teve acesso ao documento que mostra que é Benedicto quem assina o empréstimo ao Botafogo.

O outro ex-executivo da Odebrecht que assina o empréstimo ao Botafogo é Leandro Azevedo, ex-superintendente da empresa no Rio de Janeiro. Ele também fez acordo de delação premiada na operação Lava Jato, e delatou uma série de políticos que teriam recebido caixa 2 da Odebrecht.

Construído para o Pan-Americano de 2007, o, agora, Nilton Santos custou R$ 380 milhões e completou 10 anos em 2017. Em 2013, a Prefeitura do Rio anunciou que o estádio precisaria passar por um reforço estrutural imediato por conta do risco de queda da cobertura em caso de ventos acima de 63 km/h. O local teve reforço de estrutura calculado em R$ 200 milhões após interdição – custo estimado da reforma que inseriu mais 1.500 toneladas de aço no estádio.

Fonte: Globoesporte.com

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