NOVO GARRINCHA #SQN

Seja o primeiro a comentar

Os times da NBA, liga americana de basquete, têm um hábito que considero salutar. “Aposentar” a camisa de seus grandes ídolos. Ou seja, depois de “aposentada”, nenhum outro atleta da equipe poderá vestir a camiseta com aquela numeração.

E por que considero esta uma boa ideia?

Simplesmente porque camisa pesa.

Vestir a camisa 7 do Botafogo não é mole. Se o cara pensar que um tal de Garrincha já usou aquela camisa, desaparece.

É assim com tantas outras no futebol brasileiro, como a 10 de Pelé, no Santos, por exemplo.

E ainda tem outra coisa. Torcidas que tiveram gênios da bola em seus times vivem sonhando com novos craques. Encarnações vivas da magia do passado.

Quantos novos Pelés já foram apregoados?

Pois minha “figurinha” de hoje foi um novo Garrincha, pelo menos por uma tarde.

Isso se deu no já longínquo ano de 1980.

Domingo de Páscoa, 6 de abril, quase 40 mil pagantes para assistir a Botafogo x São Paulo pelo Campeonato Brasileiro.

Saí cedo de Iguabinha onde tinha ido passar o final de semana prolongado com a família. Comigo, no ônibus da 1001, meu tio Beto que, apesar de tricolor, sempre me fez companhia nos jogos do Fogão (e a recíproca era verdadeira).

Da rodoviária, direto para o Maraca.

A motivação extra usava a camisa 9. Claudio Adão estreava no Botafogo. E naqueles tempos bicudos de jejum, qualquer contratação de maior envergadura reacendia as esperanças alvinegras.

Mas quem brilhou intensamente naquela partida não foi Adão, que chegou a ser taxado de novo Pelé quando começou no Santos, e sim um miúdo ponta-direita chamado Edson Ferreira (ou simplesmente Edson, já que naquele tempo poucos eram os que tinham nome e sobrenome).

Ele não fez nenhum dos três gols do Botafogo naquela tarde, marcados por Renato Sá, Wecsley (frangaço de Waldir Peres) e Mendonça, mas só faltou fazer chover.

Infernizou a vida do lateral Ayrton, que teve a inglória tarefa de tentar pará-lo naquele dia.

sem-titulo

Estava endiabrado, passava como queria pelos marcadores. A cada vez que a bola seguia em direção à ponta-direita a torcida se levantava e delirava com os seguidos dribles.

Num determinado momento Edson foi parado com uma “tesoura voadora” que deixaria Júnior Baiano morto de inveja caso já atuasse naquela época.

sem-titulo1

Chegamos a abrir 3×1, mas acabamos cedendo o empate. Apesar da decepção de ver a vitória escapulir, saímos do, até então, maior estádio do mundo, com os olhos brilhando. Sonhávamos alto com a possibilidade de um novo Garrincha estar surgindo.

Mais centrada, porém, estava a reportagem do Jornal do Brasil do dia seguinte, que assim analisou a atuação do camisa 7: “Levou o lateral Ayrton à submissão total. Se aprender a centrar, vai desequilibrar”.

Não aprendeu e aos poucos sumiu.

A realidade é dura!

Para os botafoguenses então…

PS: Eu aposentaria também a camisa 6 do “Enciclopédia” Nilton Santos.

Publicado no dia

Deixe um comentário! 1