O AMARGO PRESENTE DO RECONHECIMENTO

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Indiano por

Nos últimos anos, temos vivido um momento de descrença generalizada como brasileiros.  Ao invés de pensarmos como no passado, de que o futuro sempre trará dias melhores, hoje nos agarramos a um alento ou pelo menos desejamos a sensação de não sermos tão enganados, tamanha injustiça com que estamos acostumados a lidar com os acontecimentos recentes. Nossa inocência deu lugar a uma severa quebra de confiança que não se limita ao modelo econômico e político atual, mas afeta a sociedade numa maneira geral e inclusive naquelas camadas que sempre nos serviram como válvulas de escape aos momentos ruins, como o futebol, uma paixão nacional.

Com os escândalos pós Copa 2014, passando pelo caos da paralisação de campeonatos em torno de estranhos julgamentos, além dos mais constantes erros de arbitragem em favorecimento aos mesmos times, conseguimos ter uma noção do quão desigual e bagunçado é a nossa conjuntura futebolística. Nela, clubes são amplamente beneficiados em detrimento a outros, sem a menor justiça ou escrúpulo. E quem detém o maior controle das ações ao público adquire autoritarismo e péssima distribuição.

Não me garanto a ideia de que o pagador do espetáculo pode fazer o que bem entender, mancha-se inicialmente a valorização do evento premiando a incompetência e rasgando o mérito daqueles que fizeram os melhores papéis nas competições mais importantes. Somos doutrinados a duvidar de nossa própria capacidade de compreensão e entendermos que agimos como meras peças de um tabuleiro de xadrez sempre sendo manipulados por alguém.

Por essas razões que exemplos como o que aconteceu ao Botafogo na semana retrasada, quando anunciado que seus decisivos jogos nas Oitavas da maior competição continental seriam alterados na TV aberta pelos do Flamengo num torneio inferior, tornam-se reflexos de um sistema que pisa nas regras e no compromisso ao público. Sul Americana sendo mais valorizada que Libertadores é a balbúrdia em forma de esporte.

E as consequências são desastrosas. Perde o clube encontrando maiores dificuldades em expor e criar vínculos comerciais, perde o torcedor que não possui alternativas como TV por assinatura (e são muitos) e perde a marca, usada e abusada de forma desproporcional. Definitivamente, não há frieza de números que justifiquem decisões mal explicadas.

O triste é quando não aproveitamos a entrada de um novo indicador para negociar aquilo que merecemos. Não dinheiro, reconhecimento. Quando uma inédita concorrência de canais elevou nossas esperanças de torcedor por dias melhores, fomos os primeiros a abraçar o atual modelo, sem pestanejar. E hoje agimos como se tivéssemos sendo apunhalados. O curioso é que os próprios clubes que mais aparecem na TV aberta resolveram barganhar até o final enquanto cedo comemos migalhas e aceitamos tudo com um sorriso amarelo no rosto. O resultado é que o Botafogo é um dos clubes mais escondidos da TV, sempre colocado nos piores dias e nos horários mais questionáveis, para o torcedor no estádio e o telespectador.

Por isso, botafoguense, valorize o clube da forma como puder. Embora estejamos a passos de tartaruga para uma independência, podemos diminuir o abismo que todos esses fatores podem nos causar. Mantenha viva a paixão pelo clube de Norte a Sul do Brasil e nos quatro cantos do mundo, adquira produtos oficiais, seja Sócio Torcedor se possível e valorize os canais de mídia alternativa, que são formados com o intuito de levar até você um compromisso que os grandes veículos pouco se importam.

Assim, como um filme repetido milhares de vezes, nesta quarta teremos o time que mais passa na TV aberta. É praticamente a Lagoa Azul do futebol brasileiro.

A partir daí, só depende de nossas ações como torcedores. E nós sabemos exatamente o que fazer.

Namastê!

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