O HABILIDOSO MOTORISTA DO CAMBURÃO

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Mário Sérgio chegou ao Botafogo em 1976, em um daqueles troca-trocas que o então presidente do Fluminense, Francisco Horta, promovia no futebol carioca. Veio junto com Manfrini. Para as Laranjeiras foi Dirceu, o formiguinha.

Logo, ele e Manfrini se tornaram titulares de meu time de botão que, nessa época, jogava muito mais do que qualquer time do futebol brasileiro de hoje em dia, mesmo se disputasse Estadual, Brasileirão, Primeira Liga, e Libertadores num ano só.

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Antes de chegar ao Botafogo, Mário tinha passado por Flamengo, Vitória e pela Máquina tricolor, em 1975. Ficou no alvinegro até 1979.

Jogava fácil. Era muito habilidoso. Não era artilheiro. Longe disso. Estava mais para maestro. Sua função era colocar os outros na cara do gol.

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Pelo Botafogo fez apenas 3 gols, mas me lembro claramente de um deles. O adversário a memória não capta mais. Só lembro que era um daqueles jogos de fim de semana à tarde. Não era um clássico pois me estava sentado debaixo de sol forte na parte central do Maraca, no lado oposto da tribuna de honra. Mas, apesar de tão ralas recordações, me lembro muito bem da jogada. Mário Sérgio carregou a bola até o bico da área e, bem na minha frente, bateu com o lado de fora do pé, colocado, encobrindo o goleiro, fazendo com que a bola morresse suavemente no fundo das redes do gol à esquerda das cabines de rádio.

No Botafogo, Mário integrou aquele que o jornalista Roberto Porto denominou como “time do camburão”. Robertão brincava dizendo que Dé, Mário Sérgio, Renê, Paulo César, Perivaldo e Nilson Dias eram todos “chave de cadeia”.

Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 27/03/1977. Time posado do Fluminense, que jogou contra o Fluminense, pelo Campeonato Carioca, no est‡dio do Maracan‹. De pŽ, da esquerda para a direita, de pŽ: ZŽ Carlos; Cremilson, Osmar, Carbone, Rodrigues Neto e Perivaldo; agachados, Gil, Paulo Cesar Caju, DŽ, Nilson Dias e M‡rio SŽrgio. Foto: Arquivo/AE Pasta: 20.478 Negativo: 771343 contato 2

Essa fama, por sinal, sempre acompanhou Mário Sérgio, mas não o impediu de conquistar vários títulos. No Botafogo estava na equipe que levantou a taça do Torneio Início de 1977 (na fase de jejum, foi uma de nossas poucas alegrias).

Em 1978, Mário teve uma séria contusão no joelho e ficou quatro meses parado. Tentou voltar antes do tempo e os meniscos chiaram. Ficou mais quase um ano fora. Quando se recuperou, acabou sendo negociado com o Rosário Central, da Argentina.

Fez história em suas passagens pelo São Paulo, Grêmio e, principalmente, pelo Internacional.

Ganhou quatro vezes a Bola de Prata da revista Placar e jogou oito partidas pela Seleção.

Quando parou, virou treinador. Em 2007 chegou a passar por General Severiano, mas sem sucesso.

Atualmente se dedicava à carreira de comentarista esportivo. Sarcástico e ferino, não fugia de divididas.

Infelizmente estava no voo trágico que levava a equipe da Chapecoense para a primeira partida das finais da Copa Sul Americana, em Medellín, na Colômbia. Com ele estava, entre outros jornalistas, Paulo Julio Clement, com quem trabalhei nos tempos do Jornal dos Sports, no final da década de 1980. Há um ano tive a felicidade de vê-lo no lançamento do livro “95, a tua estrela brilha”. Na época trabalhava na FOX com o outro autor do livro, Claudio Portella.

Que Mário, Paulo e todos os outros envolvidos nesse acidente terrível descansem em paz.

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