PRESIDENTE DE OURO

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A história do Botafogo está marcada por grandes nomes que dedicaram quase que a vida toda ao clube e minha “figurinha carimbada” de hoje foi um sujeito assim. Falo de Paulo Azeredo, o mais importante presidente que o clube já teve e o mais vencedor também.

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Paulo Azeredo esteve junto ao Botafogo quando o time ainda jogava entre as palmeiras centenárias do Largo dos Leões. Como ainda não tinha idade para atuar ao lado dos mais velhos, ficava observando de perto aquele novo e fascinante jogo. Bastava a bola ser chutada para longe que ele ia correndo buscá-la Não dava para correr o risco de deixar o bonde passar por cima dela e estragar a brincadeira.

Sim, o futebol nesse tempo ainda era coisa de garotos. Garotos aqueles que, ali em Botafogo, fundaram o Electro Club, que logo se transformaria no Botafogo Football Club. Paulo acompanhou todo esse processo.

Em 1910 foi campeão infantil e em 1916 já estava no time principal. Isso sem contar as participações em outras modalidades esportivas.

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O primeiro de seus três mandatos teve início logo em 1923. Depois assumiria entre 1926-36, sendo responsável direto pelo tetracampeonato carioca, conquistado entre 32 e 35, feito que só o Botafogo conseguiu até hoje. Dois gringos foram contratados para a Comissão Técnica: o treinador inglês Charles Williams e o húngaro Nicolas Ladanyi, que atuaria como supervisor. Só que o britânico não foi muito com a cara de Nicolas que, aliás,  tinha muito mais prestígio entre os jogadores do que ele. Decidiu, então arrumar as malas e voltar para os braços de Sua Majestade. Ladanyi assumiu o comando e chamou o grande artilheiro Nilo Braga (190 gols em 201 jogos) para fazer dupla função: de goleador e de assistente.

A história de General Severiano também passa pelas mãos de Paulo Azeredo. Depois de deixar o estádio da rua Voluntários da Pátria, o clube tinha adotado aquele campo como seu, mas não havia nada sacramentado oficialmente. Como investir em melhorias? Pois foi Paulo que conseguiu, através de seu pai, convencer o presidente Arthur Bernardes a autorizar o aforamento do terreno para o Botafogo. Não bastasse, comandou a construção do palacete, em 1928. Dez anos depois, após o sucesso da “Campanha do cimento”, ficavam prontas as arquibancadas e era inaugurado o novo estádio, considerado, na época, como o mais bonito do Brasil.

Paulo Azeredo voltaria ao comando do Botafogo entre 1954/1963, para grandes e inesquecíveis conquistas, começando pelo título carioca de 57 com uma sonora goleada de 6×2 sobre o Fluminense. E depois montaria o time que encantou o mundo com Nilton Santos, Didi, Garrincha, Zagallo e cia. Craques que foram a base da Seleção e que garantiram os dois primeiros título mundiais para o Brasil.

No final dos anos 50, mais uma grande obra. Ficava pronta a sede do Mourisco, na praia de Botafogo que, quarenta anos depois garantiria nossa volta para General Severiano, numa permuta com a Companhia Vale do Rio Doce. Mas isso já é outra história…

Durante essa última administração, Azeredo ficou conhecido como o “Presidente de Ouro”. O Botafogo chegou a conquistar 120 títulos em um único ano em todas as modalidades que o clube disputava. Éramos campeões de terra (futebol, esportes coletivos e atletismo), mar (remo e natação) e ar (aeromodelismo).

Recentemente o clube instituiu o Prêmio Paulo Azeredo para homenagear botafoguenses históricos. E nada mais justo do que utilizar o nome de nosso Grande Benemérito.

Feliz do clube com tantas “figurinhas” e tantas histórias para contar.

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