SANGUE LATINO

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No dia em que o Botafogo fecha a contratação de Montillo e define sua participação em mais uma Libertadores da América, a minha “figurinha carimbada” da semana é quase que inevitável: Fischer, El Lobo.

Argentino como Walter Montillo, Rodolfo José Fischer nasceu no dia 2 de abril de 1944, em Oberá, Misiones.

Começou em equipes amadoras da região, sempre incentivado pelo pai, Benjamim Fischer. Contratado em 1964 pelo San Lorenzo, atuou ao lado do atacante Doval nas categorias de base e depois no time principal.

O Botafogo precisava suprir a ausência do atacante Roberto Miranda, que havia se transferido  para o Flamengo em 1971.

O interesse por Fischer surgiu após a disputa da Taça Independência, torneio realizado em 1972 para celebrar os 150 anos da Independência do Brasil. El Lobo foi um dos destaques da Seleção Argentina. E o técnico Tim pediu que o contratassem.

É certo que demorou um pouco a se adaptar por aqui. Seu temperamento era bem diferente do resto do grupo.

A impaciente torcida alvinegra começou a questionar sua vinda. Ganhou vaias. Diziam que só se mantinha porque era apadrinhado de Tim.

Mas Elba de Pádua Lima se foi de General Severiano e Fischer ficou. Ficou e se tornou ídolo.

Na sua passagem pelo Botafogo não obteve títulos, mas viveu pelo menos três grandes momentos do clube. Em 1972 foi vice-campeão brasileiro. Em 15 de novembro do mesmo ano, participou da famosa goleada de 6 x 0 aplicada sobre o Flamengo, marcando, inclusive, dois gols. E o vice-campeonato carioca de 1975, quando apesar de vencermos a “máquina” comandada por Rivelino, perdemos o campeonato no saldo e gols.

Na final de 72,  aos 42 minutos do segundo tempo El Lobo Fischer  teve a oportunidade de definir a partida. Em um bate-rebate, a bola sobrou para ele na frente do goleiro Leão, mas o chute saiu fraco. Final, 0 x 0. Palmeiras campeão.

No mês de novembro, no entanto, o coração do argentino quase explodia de alegria com a goleada de 6×0 sobre o time da beira da Lagoa, no dia do aniversário do rival. El Lobo marcou dois gols. Aos 35 minutos fez o segundo gol depois de jogada entre Jairzinho e Zequinha. E, aos 41, aproveitou um cruzamento de Zequinha e completou o marcador do primeiro tempo.

Por último, a participação na bela campanha de 1975. Apesar do favoritismo tricolor, o Botafogo ganhou o segundo turno e foi disputar o triangular decisivo com Vasco da Gama e Fluminense. Perdemos o título, mas o time brilhou. Fischer fez 14 gols no campeonato daquele ano.

Ao lado do “furacão” Jairzinho, El Lobo formou uma grande dupla de ataque.

Esteve em campo na Libertadores de 1973, quando enfrentamos também o Colo Colo, que agora volta a cruzar nosso caminho. No empate de 3×3, no Estádio Nacional de Santiago, marcou um dos gols.

Se entregou de corpo e alma ao Botafogo, como esperamos que seu conterrâneo, Montillo, também o faça.

Termino esta crônica com uma declaração dele ao jornalista Teixeira Heizer, na Revista Placar:

“Quando jogo beijos é porque fiz gols. E se fiz gols é porque estou bem. Com o público e comigo mesmo”.

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