UM TIQUINHO DE HISTÓRIA

Seja o primeiro a comentar

Quando a gente fala em “figurinhas carimbadas”, a tendência é citar apenas craques inesquecíveis ou figuras de grande expressão.

Pois bem, minha coluna de hoje vai entrar na contramão para falar de um jogador que ficou famoso, no Botafogo, mas de forma negativa. Um atacante que pagou o preço de atuar pelo clube num momento difícil e que acabou tendo seu nome usado de maneira pejorativa.

Mas um jogador que também soube dar a volta por cima, só que em outro alvinegro.

Estou falando de Onofre Aluísio Batista, mais conhecido como Tiquinho.

Os mais novos não vão se lembrar dele, mas Tiquinho foi integrante de um grupo de jogadores que simbolizaram a decadência do Botafogo em meio ao período de 21 anos sem títulos. Dizia-se que um time que tinha Tiquinho, Puruca e Cremilson em sua escalação jamais poderia ser campeão. Uma maldade.

Tiquinho era cria da base comandada pelo Seu Neca e chegou a ser campeão mundial infanto-juvenil pelo Botafogo, em 1973, na cidade de Croix, na França. Na final, em 11 de junho de 1973, derrotamos o Dynamo de Kiev, da então União Soviética, por 2×0, com dois gols dele. Participaram desse torneio as equipes francesas do Nancy, do Nantes e do Íris, além de Milan (Itália), Glasgow (Escócia), Benfica (Portugal), Schalke04 (Alemanha), Legia (Polônia), Anderlecht (Bélgica), Ajax (Holanda) e Dynamo de Kiev (União Soviética).

campeoes_mundiais_1973

Também integravam esse time três jogadores que brilhariam no time principal: o goleiro Zé Carlos e os meias Luisinho Rangel e Mendonça.

Aos 19 anos, Tiquinho iniciou a carreira profissional no Botafogo. E logo na estreia fez um dos gols na vitória de 2 a 1 sobre o Guarani, pelo Campeonato Brasileiro. Na segunda partida, mais dois gols contra o Nacional de Manaus. Um começo animador.

tiquinho

Entre os anos de 1975 e 1976, defendeu a seleção de novos do Brasil. No total foram quatro jogos e 1 gol marcado. Seu maior feito foi a conquista da medalha de ouro no Pan do México.

pan-75

Na foto do time do Pan de 75, jogadores que vingaram no futebol profissional. O goleiro Carlos, o lateral Rosemiro, o atacante Marcelo (que hoje é treinador e que atuou também pelo Botafogo), o atacante Claudio Adão, o meio-campo gaúcho Batista e o zagueiro Edinho.

Só que o Botafogo vivia uma fase difícil e a cobrança era muito grande. Não havia paciência nem de torcedores, nem de dirigentes.

Tiquinho não resistiu à pressão e foi emprestado para o Treze de Campina Grande. Em 1977, retornou ao Botafogo, mas logo se transferiu para o Ceará, onde viveu os melhores momentos de sua carreira. Comandado pelo técnico Moésio Gomes, o Paim, conquistou o tetracampeonato estadual, no dia 28 de dezembro de 1978, com um gol histórico, aos 45 minutos do segundo tempo. Uma explosão em preto e branco num Castelão com quase 50 mil presentes.

ceara

Bastou este gol para que se tornasse um ídolo eterno da torcida do Vôzão.

Vejam esta reportagem do Globo Esporte sobre a conquista, mais de 20 anos depois.

https://www.youtube.com/watch?v=qecVTNppBaE

Em 1980 retornou ao Botafogo, mas logo voltou a peregrinar pelo país: Remo, Fortaleza, Ceará, Rio Negro (campeão amazonense de 1982) e Nacional, onde encerrou a carreira.

Entre os anos de 1975 e 1985, atuou em 96 partidas do Brasileirão e marcou 16 gols. Não era, portanto, um grande goleador, mas quis o destino que seu nome ficasse marcado na história de três alvinegros. No Botafogo, no Ceará e no Rio Negro, times onde se sagrou campeão.

Depois de pendurar as chuteiras foi morar no Ceará, onde era tratado como rei, mas sucumbiu à difícil vida fora dos gramados. Morreu novo, aos 53 anos, de parada cardíaca. Sofria de diversos problemas de saúde, agravados pelo alcoolismo.

Mas fica a lembrança do Tiquinho brincalhão. Vejam esse vídeo dele imitando o inesquecível locutor Waldir Amaral, da Rádio Globo. Nunca ouvi alguém fazer melhor.

https://www.youtube.com/watch?v=TvGbL8RpbW0

Publicado no dia

Deixe um comentário! 1


  • Thamas Campelo baracho disse:

    Eu posso falar porque o vi jogar. Tiquinho era muito bom jogador. Por varias circunstâcias, da época, como voce mesmo falou, acabou saindo. Puruca, também, como muitos outros jogadores do Botafogo, eram diminuidos pela imprensa flamenguista. Quem não lembra daquela geração dos finais dos anos 70 início dos nos 80. com Zanata, Celso, Jerson, Silva e outros que foram lançados num jogo contra o Flamengo e por perder aquele jogo foram descartados. Esse time dava passeio nos adversários em Mal. Hermes, inclusive na geração do flamengo que depois foi Campeão Brasileiro. Muito bom lembrar esses tempos.