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Com Botafogo fora da Superliga, Lorena aponta amadorismo e ataca: “Maior covardia da vida”

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Referência do grupo que disputaria a competição, oposto critica condução da diretoria em meio à falta de verbas e revela pedido do elenco para jogar: “Disseram para mim: pode ir para Justiça”

Perto de completar 41 anos, Lorena era o nome mais conhecido do grupo montado pelo Botafogo para a Superliga 19/20. Depois de liderar a equipe na conquista da Superliga B e garantir o acesso à elite do vôlei nacional, o oposto surgia como referência natural de um elenco de jovens e veteranos. A pouco mais de uma semana da estreia, porém, o Alvinegro alegou falta de condições financeiras para arcar com o projeto e anunciou que não jogaria mais a competição.

Antes mesmo do anúncio oficial, na última quinta-feira, os jogadores tentaram fazer a diretoria mudar de ideia. Segundo Lorena, o clube teria direito a R$ 4,8 milhões através de leis de incentivo fiscal. Com quatro meses de salário atrasado, o grupo, segundo o oposto, estaria disposto a esperar possíveis patrocinadores para não perder a chance de entrar em quadra. A diretoria do Botafogo, porém, manteve a decisão, e a equipe não vai disputar a Superliga, que terá a rodada de estreia no próximo sábado.

– Viramos para o presidente, para o vice, para o diretor, pedimos para que deixassem a gente jogar. Cara, já estamos aqui. Alguma coisa iria aparecer. Tem R$ 4,8 milhões aprovados de incentivo, essas coisas demoram. O dinheiro uma hora iria entrar, pedimos para não prejudicar o Botafogo. Funcionários estão há três meses sem receber. Disseram para mim: pode ir para Justiça. Isso é chocante, impressionante. E ninguém ajuda com nada – afirmou o jogador.

O GloboEsporte.com entrou em contato com o Botafogo para ouvir o posicionamento do clube, mas não recebeu resposta. Caso haja um posicionamento, a matéria será atualizada.

Lorena reclama também da punição ao clube. De acordo com o regulamento da Confederação Brasileira de Voleibol, o Botafogo ficará suspenso das competições por um ano devido à desistência. O oposto queria mais.

– Eles se reuniram com a gente. O Vice-Presidente (Alexandre Brito, vice-presidente de Esportes Gerais) disse: “Ligamos para a CBV, se não jogarmos a Superliga, vamos ser suspensos só por um ano”. É a maior covardia que eu vi na minha vida. E no próximo ano voltam, como se nada tivesse acontecido. E a CBV, que tinha de proteger, com uma palhaçada dessas, dá um ano de punição. Quatro meses sem pagar jogador e quem se ferra somos nós, é uma bagunça. O clube nunca mais poderia jogar vôlei.

– Se sabia que ia dar merda, não montava o time. Quando subimos, todo mundo queria o time, todo mundo apareceu na empolgação. Disseram que tinham R$ 3 milhões para montar o time. Saíram contratando gente. Botafogo foi o primeiro a contratar. E, agora, dá nisso. É chocante, uma vergonha. Foram poucos que fizeram alguma coisa. Achando que cairia do céu, com incentivo de R$ 4,8 milhões. Caras não conseguem captar um milhão! O projeto custava R$ 1,7 mi. Presidente virou na minha cara e disse que não tínhamos nenhum vínculo. Eu disse: “Presidente, fomos na abertura da Superliga, treinamos todos os dias, tivemos a apresentação do time”. Como não temos vínculo?

O oposto afirma estar mais preocupado com os jogadores mais novos. Grande parte do elenco alvinegro era formado por atletas criados na base do clube. Ainda que alguns dos atletas já tenham conseguido contrato com outros clubes, os novatos deverão ficar à espera de outras oportunidades.

– O que mais me chateia, cara, depois de tudo o que fizemos pelo grupo, pelo clube, acreditado no projeto, disputar a Superliga B, colocar o Botafogo na A, toda essa molecada que comprou a ideia. Quando chega na Superliga A, treina para caramba e acaba. Onde vai colocar todo mundo? Acabar com o sonho de muito garoto. Eu, tudo bem, já joguei em um monte de lugar. Tem gente que está começando a vida, vai acabar com a carreira do cara. Eu culpo todo mundo. É surreal o que a CBV faz com o vôlei brasileiro (não dando proteção aos jogadores). Tem que fazer um dossiê, contrato assinado, garantias. Nós somos seres humanos, conta para pagar, família, gastos. Tenho 23 anos de profissional e orgulho de falar isso. Nunca passei por isso.

– Eu estou perdido (risos). Fui para médico bom para caramba, treinei para caramba, para estrear no sábado. Tem hora que penso que é pesadelo, que preciso ir para o treino porque estreio no sábado. Estou mais preocupado com a garotada. Se pudesse ajudar a todos, levar para um projeto, não deixar a carreira deles acabar, levaria. Não é possível que não tenha um sistema de proteção. Sai contratando todo mundo, mas não tem nada. É um amadorismo absurdo.

Apesar da mágoa com a diretoria do clube, Lorena diz ter se tornado torcedor do Botafogo no período que defendeu a equipe. O oposto, no entanto, espera que o Alvinegro não volte às quadra enquanto os dirigentes atuais estejam no comando.

– Eu tenho amor pelo clube, virei botafoguense, tenho carinho pela torcida. É a minha paixão no Rio. Mas as pessoas que gerenciam esse clube não podem voltar ano que vem, depois de tudo o que fizeram, não. Fico chateado pelo que fazem com clube.

Fonte: globoesporte.com

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