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Crise no Botafogo: com caixa vazio, clube pode perder socorro de cardeais

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Montenegro mandou recado avisando aos dirigentes que não ajudaria mais se não recebesse um sinal de que a diretoria estava entendendo o tamanho da crise

O Botafogo sonha com o futuro – mas o presente pode impedir que a “revolução” aconteça. Afundado em dívidas, sofrendo com penhoras, o clube entrou em setembro com uma dura realidade: o dinheiro acabou. Não há caixa para pagar as contas mais básicas. Os jogadores estão com dois meses de salário em atraso – assim como funcionários.

O futebol do clube só sobreviveu até agora por conta da venda de jogadores – que gerou quase R$ 40 milhões para o clube (nas negociações de Matheus Fernandes, Igor Rabello, Leandro Carvalho, Gláuber e Jonathan) e empréstimos. Há uma pequena esperança ainda de vender Gatito para mercados em que a janela não fechou, como Catar e Emirados Árabes.

A crise financeira já se tornou política: os beneméritos que ajudaram o clube a pagar contas nos últimos meses estão indignados com gastos em outros esportes – especialmente no basquete. O presidente Nelson Mufarrej cogitou até criar um Comitê de Crise para gerir o clube – mas acabou recuando.

Em agosto, os dirigentes torceram para que chegasse uma proposta pelo goleiro Gatito Fernández antes do fechamento das principais janelas internacionais. Se Gatito fosse vendido por, ao menos, R$ 10 milhões – o clube quitaria as folhas de julho e agosto – e respiraria um pouco.

Em vez disso… o que chegou foi a terceira conta de água vencida no Estádio Nilton Santos. A Cedae cortou o fornecimento. Em julho, a Light chegou a cortar a luz de General Severiano. Nas duas ocasiões, o clube pediu socorro aos mesmos nomes: o ex-vice de finanças Cláudio Good e o ex-presidente Carlos Augusto Montenegro.

Montenegro e Good apagaram diversos incêndios nos últimos três meses – sempre com empréstimos providenciais com garantias diversas e, em alguns casos, até sem garantia. Além deles, o clube contraiu outro empréstimo com um empresário de futebol para conseguir quitar a folha de abril.

Mas as alternativas chegaram ao fim – assim como a paciência dos cardeais. Os anúncios que o clube fez em outros esportes – especialmente no basquete – como contratações para a nova temporada da NBB e o pacote para que sócios acompanhem o time na competição – foram a gota d’água.

Depois de pagar as contas de água em atraso, Montenegro mandou um recado avisando a Mufarrej e ao vice Luís Fernando Santos que não ajudaria mais se não recebesse um sinal de que a diretoria estava entendendo o tamanho da crise.

Nesta quarta-feira, a diretoria anunciou que o preço dos ingressos para o jogo contra o Atlético-MG baixaria para R$ 30 – o que seria uma sinalização para Montenegro. Mas o conflito sobre o investimento em esportes amadores é mais profundo.

A implosão do grupo “Mais Botafogo” (com a saída do ex-presidente Carlos Eduardo Pereira e do ex-vice Anderson Simões) enfraqueceu politicamente a diretoria de Mufarrej – que se escorou em Santos e em dois dirigentes – Alexandre Pinto (Vice de Esportes Gerais) e Gláucio Cruz (Diretor Geral de Esportes), que acreditam que a presença em esportes amadores é importante para a imagem do clube e que, como são projetos incentivados, não gerariam custos. Mas esse último argumento não é aceito por Montenegro e Good.

– Os cardeais sabem que todo recurso pode ser penhorado. E aí a folha do basquete vira dívida. Estamos gerando ainda mais passivo. Não dá pra gente estar no CTI e achar que dá pra doar sangue – diz um conselheiro que pediu para não ser identificado.

A crítica vai além disso – pois o dinheiro captado para o basquete não resolveria o buraco financeiro. O exemplo do Vasco, que cancelou o basquete para investir no futebol de base, é constantemente citado – pois revelar jogadores no futebol gera recursos – o que não acontece em outros esportes. O diretor da base, Manoel Renha, já lamentou a escassez de recursos em várias entrevistas.

– O Botafogo investe menos na base que os outros três do Rio. Nossa sala de musculação é de 2004. Não temos verba para suplementos. E ainda assim hoje temos 16 atletas da base no elenco. Não fossem as vendas do Igor e do Matheus… não teríamos chegado até maio – disse há algumas semanas.

As dívidas do clube já superam R$ 700 milhões e a permanência na Série A é considerada fundamental para que o projeto de implantação da SPE (Sociedade de Propósito Específico) seja implementado.

Um grupo de torcedores tem feito reuniões semanais junto a um grupo de advogados e a profissionais da Ernst & Young – todos trabalhando sem remuneração – para formatar a empresa e o FIDC (Fundo de Investimento de Direitos Creditórios) que captaria recursos para equacionar a dívida e viabilizar o futuro do futebol alvinegro. Só que todo esse esforço depende da sobrevivência do clube no presente.

E é no presente que o futebol convive com dificuldades inacreditáveis para um clube profissional. Há fornecedores que estão sem receber há cinco meses. Funcionários alternam desânimo e indignação – e alguns citam as vacas magras de 2014 – quando o clube passou por crise semelhante e acabou rebaixado dentro de campo no último ano da gestão Maurício Assumpção.

Em julho, um diretor pagou do seu próprio bolso cestas básicas para 40 funcionários. Na última quarta, torcedores criaram uma vaquinha online com o mesmo propósito. Nesse cenário, Mufarrej tentou socorro junto à CBF e a Federação Carioca – mas não obteve sucesso.

Apesar de ter 23 pontos e relativamente longe da “zona de perigo” do Brasileiro, os dirigentes sabem que performance em campo tende a ser a próxima vítima da crise.

O técnico Eduardo Barroca gostaria de contar com reforços – especialmente no ataque – mas o caixa vazio inviabiliza qualquer contratação. Caso Muffarrej realmente perca o suporte de Montenegro e Good, a situação pode ficar ainda mais complicada.

Fonte: globoesporte.com

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