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DINORAH DE ASSIS: SINÔNIMO DE HERÓI

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A GENÉTICA E O TALENTO DE DINORAH 

Dinorah Cândido de Assis, nascido em Porto Alegre, nos idos de 189(?) a data é incerta, tinha um biotipo atlético, como seu irmão Dilermando e ambos além da carreira militar, tinham paixão pelos esportes: Dilermando tornou-se um exímio esgrimista e Dinorah um excelente jogador de futebol.

 

DINORAH E O BOTAFOGO

Após morar em São Paulo e lá defender o Internacional em 1906 e 1907 (tornando-se campeão estadual neste ano), chega ao Rio de Janeiro em 1908 em virtude de sua carreira militar e neste ano defende o América, formando famosa dupla de zaga com Belfort Duarte. Em 1909 resolve jogar no Botafogo.

 

O IRMÃO DILERMANDO E A AVENTURA PROIBIDA

Seu irmão Dilermando, então com 17 anos mantinha um caso amoroso com uma mulher de 33 anos, Anna.

Para piorar ainda mais uma situação no mínimo escandalosa para o começo do século XX, Anna era casada e com um brasileiro ilustre: o escritor Euclides da Cunha.

Dinorah nunca teve nada a ver com a história. No início e auge do romance, estava em São Paulo, defendendo o Internacional.

 

O QUE É RUIM PODE PIORAR AINDA MAIS

Anna ficou grávida de Dilermando, e Euclides percebia a barriga crescendo…

Em meio ao caos, Mauro nasceu prematuro – a mãe, em vão, tentara abortar, inclusive inserindo agulhas no corpo. A criança nasceu, mas morreu com oito dias de vida.

Tudo piora ainda mais: Euclides lidava com a traição; Anna carregava a fama de adúltera; Dilermando se equilibrava entre uma paixão proibida e a dor pela perda do filho. A situação foi amenizada em 1906, quando o militar foi convocado pelo Exército para retornar ao Sul. Mesmo assim, no ano seguinte, em visita ao Rio, ele reencontrou Anna. E a engravidou.

Nasceu Luiz, o Lulu. Era loiro, feito Dilermando, diferente dos filhos de Euclides – “uma espiga de milho em meio a um cafezal”, como definia, ironicamente, o escritor. O filho bastardo só piorou o ambiente.

 

O INSUPORTÁVEL TRANSFORMA-SE EM TRAGÉDIA: MATAR OU MORRER

Dinorah na porta da casa onde tudo aconteceu

No domingo, 15 de agosto de 1909, por volta de 10h, Dinorah observava o movimento da rua quando percebeu a presença de Euclides da Cunha. Assustado, virou-se para dentro da casa e avisou que ali estava o escritor.

Dilermando rumou para seu quarto. Foi colocar seu traje militar. Anna se escondeu. E Euclides disse a Dinorah que queria falar com o irmão dele. Invadiu a casa. Gritou: “Vim para matar ou morrer!”.

O escritor disparou duas vezes na direção do jogador – um tiro pegou de raspão. Dinorah se levantou e correu na direção de outro quarto, onde pretendia pegar uma arma. Não chegou lá. Levou um tiro pelas costas, abaixo da nuca. Desabou.

Mas Dilermando também tinha uma arma, com a qual acertou 3 tiros em Euclides da Cunha e o matou. Dilermando foi atingido abaixo da garganta, acima do estômago e no tórax. Sobreviveu.

Funeral de Euclides da Cunha noticiado em jornal da época

 

SOLDADO FERIDO CONTINUA LUTANDO

Incrivelmente, uma semana após ser baleado, Dinorah enfrenta o Fluminense (jogo que perdemos por 1 X 2, nosso gol anotado por Gilbert Hime em 22/08/1909) com uma bala cravada na espinha.

Numa combinação incrível de persistência, físico privilegiado, talento, amor próprio e garra, Dinorah continua sendo jogador importante no resto da temporada de 1909 e no ano inteiro de 1910, sendo campeão carioca.

Campeões de 1910: em pé – Coggin, Pullen e Dinorah (em destaque), ajoelhados – Rolando, Lulu Rocha e Lefèvre, sentados –Emmanuel, Abelardo, Décio, Mimi Sodré e Lauro.

A CARREIRA DE DINORAH NO GLORIOSO

Dinorah atuou em 26 jogos pelo Botafogo entre maio de 1909 e julho de 1911, tendo contribuído decisivamente junto com seus companheiros para merecermos a alcunha de “Glorioso”, graças às seguidas goleadas implacáveis impostas sobre os adversários na campanha de 1910 e ao famoso 24 X 0 contra o Mangueira em 30/05/1909.

Apesar de atuar na zaga, o excelente preparo físico e talento propiciaram que ele marcasse 9 gols, sendo 6 em apenas um jogo, na goleada de 13 X 0 sobre o Haddock Lobo em 11/07/1909.

Mesmo após o trágico acidente, continuou atuando com maestria e contribuiu com 2 gols (1 contra o Riachuelo nos 9 X 1 de 05/06/1910 e outro contra o Haddock Lobo nos 11 X 0 de 02/10/1910) na inigualável campanha de 1910.

Em 1911, após 3 jogos e impossibilitado de controlar corretamente seus movimentos, encerrou a carreira atuando como goleiro no jogo amistoso no qual perdemos de 2 X 3 para o Americano(SP) em 23/07/1911.

 

O SUICÍDIO

Ao continuar perdendo seus movimentos do corpo gradativamente, fica entrevado numa cadeira de rodas, vai parar em um hospício, vira mendigo e suicida-se, miserável, inválido e louco, no Rio Guaíba, em Porto Alegre em 21 de novembro de 1921.

Coletânea de recortes de jornais das décadas de 1910 e 1920, acompanhando o drama de Dinorah, nas tentativas de suicídio, até o final. Também há uma notícia do filho de Euclides da Cunha que tentou matar Dilermando, mas como o pai famoso, foi morto.

ÍDOLO? HERÓI INIGUALÁVEL NA ACEPÇÃO DA PALAVRA 

Dinorah de Assis, onde você estiver sabe, como qualquer alvinegro, que o nosso Glorioso vem construindo uma rica história repleta de ídolos.

Pessoalmente estranho muito que você não tenha um lugar muito especial em nossa extensa galeria. Talvez a sua breve passagem conosco e numa época em que os registros eram raros e de difícil comprovação, tornou tudo mais complicado.

Mas em nome de todos os botafoguenses, rendo a você merecidíssimas homenagens e um eterno agradecimento: somos “o Glorioso” até hoje e eternamente!

Gostaria de perguntar a você como conseguiu tanta fibra?

A disciplina militar, a saúde privilegiada, a paixão pelo futebol, o amor ao nosso Botafogo, aos companheiros de time, à vida? Certamente um pouco de tudo.

Ídolo como você merece, talvez ainda não seja, mas orgulhosamente digo que nenhum outro clube de futebol tem um  verdadeiro herói… este título, só você tem!

Quem quiser contestar, me apresente alguém que tenha feito algo parecido com: jogar mais de um ano com uma bala cravada na espinha, sendo campeão  e marcando 2 gols na campanha mais espetacular da história de um clube centenário, sendo zagueiro.

Dinorah, orgulhosamente trajando seu uniforme de gala da Marinha.

 

Muitíssimo obrigado e esteja em paz !

Apenas e Sempre Botafogo! Saudações Alvinegras!

 

Pesquisa:

globoesporte.globo.com; mundobotafogo.blogspot.com;

gloriaperez.com.br; oswaldogalloti.com.br;

wikipédia e arquivos pessoais do autor.

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