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Dirigentes frustram deputado e esvaziam projeto do clube-empresa em reunião na CBF

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Representantes não querem que texto vá adiante do jeito que está

Os dirigentes não estão com a menor pressa de levarem adiante o projeto de lei que visa dar incentivos aos clubes que se tornarem empresas. Pelo menos nos moldes atuais dados pelo relator, o deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ). Os clubes se reuniram nesta quinta-feira na CBF e redigiram uma carta em conjunto, ressaltando ressalvas em questões trabalhistas, fiscais e cíveis. O andar da carruagem já torna inviável o cumprimento do desejo parlamentar de levar o texto à votação na Câmara até a segunda quinzena deste mês, antecedendo a reforma da Previdência.

Para os clubes, não é necessário correr com o projeto porque a transformação do modelo associativo para o empresarial já existe na legislação. Eles também se mostram reticentes com as consequências dos itens inseridos no texto, por mais que o relator tenha feito algumas adaptações à versão original após as reuniões ocorridas no último mês.

– Existe um consenso de que há uma insegurança grande nas alterações propostas. O projeto não é uma demanda que surgiu do futebol. A discussão não começou através dos clubes. Ela foi trazida de fora para dentro. Acho até que falta legitimidade para isso. É preciso ter uma discussão mais ampla para termos um denominador comum – pontuou o presidente do Vasco, Alexandre Campello, que foi o porta-voz após a reunião na CBF.

No encontro desta quinta participaram, por exemplo, os presidentes de Fluminense, Palmeiras, Botafogo, Chapecoense e Internacional. Diversos clubes foram representados. Campello será o responsável por dar a Pedro Paulo um retorno sobre a posição dos clubes. Na próxima semana, a pauta será debatida em uma reunião da Comissão de Esporte da Câmara. A oposição dos dirigentes, no entanto, não os levou a gerar um documento para funcionar como substitutivo ao texto do relator.

– Preferimos não fazer nenhuma sugestão no momento por entender que é preciso uma discussão mais ampla. Se colocarmos um ou outro ponto, pode dar a entender que somos favoráveis à colocação do projeto como ele está – explicou o presidente do Vasco.

Propostas rejeitadas

No âmbito trabalhista, o plano inicial era a retirada dos direitos dos jogadores que ganhassem mais de R$ 11,6 mil, levando a eles o conceito de hipersuficiência (empregado que recebe salário maior que duas vezes o teto da previdência). Chegou-se a pensar em aumentar esse teto para R$ 45 mil, mas nem assim os clubes ficaram à vontade, sob o argumento de que poderia ser criada uma bolha de processos judiciais abertos por atletas.

Os clubes também não querem saber de um novo refinanciamento de dívidas fiscais. A existência do Profut é o argumento.

Pedro Paulo também sinalizou com uma “isenção condicionada de impostos”. Ela demandaria uma série de contrapartidas de compliance e de contabilidade . Uma espécie de “fair-play financeiro tributário”, segundo o deputado. Quem cumprisse o desejado, teria carga baixa de impostos. Mas os clubes não ficaram satisfeitos.

– Estamos falando de um cenário nacional. Hoje, quais seriam os clubes que poderiam cumprir a meta de governança? Talvez cinco, seis da Série A. O Brasil tem cerca de 600 clubes. Será que os clubes conseguiriam se enquadrar? Acabariam compulsoriamente sendo taxados em 5% da receita bruta. Isso é uma carga muito grande, que implicaria no fechamento de alguns clubes – rebateu Campello, reforçando a falta de vontade dos dirigentes de acelerar o processo:

– Por que essa urgência? Por que agora resolveram que têm que salvar os clubes? Os clubes não estão discutindo isso. Por que fazer de maneira açodada, sem um amplo debate?

Fonte: oglobo.com

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