Estudo afirma que fechamento do Estádio Nílton Santos foi desnecessário

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Um novo estudo afirma que a prefeitura do Rio não precisava ter interditado o Estádio Nilton Santos, o Engenhão, por quase dois anos e que a cobertura da arena não apresentava riscos. De acordo com a análise, foi desnecessária a obra de R$ 100 milhões para o reforço da cobertura.

O laudo concluiu que as falhas encontradas eram diferenças normais para construções de grande porte e que não havia sinal de desgaste. As ferrugens nos arcos de sustentação, que se tornaram símbolo do problema, eram, na verdade, falta de manutenção da pintura.

Segundo a análise, feita pela DFA Engenharia e pela Controlatto, o estudo que recomendou o reforço utilizou critérios diferentes dos adotados na construção. Segundo o engenheiro Gilberto Couri, isso resultou na afirmação de que a cobertura poderia cair em caso de ventos de 63 km/h.

Ele diz que ‘o Engenhão não tinha problema nenhum. Estava absolutamente estável e  em condições de funcionamento. Esse laboratório alemão recebeu uma encomenda específica para fazer esse trabalho. E adotou premissas completamente erradas’.

Gilberto Couri afirma que ‘se você entra com premissas erradas, o resultado não pode sair certo. A partir desses resultados errados, fez-se uma análise estrutural que também foi errada e daí chegou-se a essas conclusões’.

O engenheiro explica que a análise anterior, feita pela empresa alemã SBP, não levou em conta a topografia da região, o que altera o resultado do impacto dos ventos. O engenheiro afirma que os alemães consideraram uma carga de ventos atingindo o estádio por quatro lados ao mesmo tempo, o que seria impossível.

Para ele, o Engenhão estava mais seguro antes, já que foram inseridas mil toneladas de material na cobertura, sem que houvesse reforço na base. Gilberto Couri afirmou que ‘isso não ocorre na natureza, é um absurdo do ponto de vista técnico. Então as conclusões são completamente fora de propósito. Eu me arrisco a dizer que, antes do reforço, ele estava mais seguro, do que hoje a gente teria condições de ter em termos de segurança.’

A polêmica começou em 2013, quando o consórcio liderado pela Odebrecht apresentou o estudo alemão. O estádio foi interditado em 26 de março. Três meses depois, prefeitura, Odebrecht e OAS fecharam um acordo para que o consórcio fizesse o reparo na cobertura, arcando com os custos.

O estádio conta com quatro grandes arcos sustentando 36.000 m² de cobertura para as arquibancadas. O estádio foi construído com capacidade de suportar ventos de mais de 126 km/h, considerando os recordes de rajadas de vento para a cidade.

O consórcio RDR, formado por Racional, Delta e Recoma e que foi responsável pela primeira parte da obra, briga na Justiça contra o consórcio Engenhão, formado por Odebrecht e OAS. A Odebrecht tenta receber cerca de R$ 100 milhões, alegando que falhas haviam sido causadas por erros no projeto.

O vice-presidente da Racional, Marcos Santoro, criticou a demora para começar as obras de reforço diante dos riscos apresentados pela prefeitura. Ele diz que ‘foi realmente uma notícia muito estranha. Nós fomos os autores do projeto original, projetos executivos e de todos os ensaios. No mínimo, deveriam ter nos chamado para fazer parte desse grupo de análise’.

Marcos Santoro afirma que ‘se havia risco iminente de ruptura com ventos acima de 63 km/h, como é que demora 17 meses para se poder entrar no estádio e fazer as primeiras obras e escoramentos?’.

O consórcio RDR afirma que também estranhou que a interdição tenha ocorrido dois meses antes da inauguração do estádio do Maracanã, também administrado pela empreiteira Odebrecht. Após a interdição, em 2013, a Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural fez uma análise independente com o laboratório BRE, o mais importante no mundo para esse tipo de estudo. O resultado apresentado à prefeitura foi de que a análise inicial estava correta e que os cálculos alemães deviam ser revistos.

Em resposta à CBN , o consórcio Engenhão disse que priorizou a segurança das pessoas, com o laudo elaborado da SBP. As empreiteiras reiteraram que o tema aguarda julgamento e que manifestações técnicas serão feitas à Justiça. O Consórcio Engenhão destacou que briga na Justiça sobre a responsabilidade dos gastos do reforço.

A CBN procurou o laboratório Wacker e a SBP, mas não houve retorno. A prefeitura do Rio também não comentou o estudo.

 

Fonte: CBN Esportes

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