Eu bem que tentei

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Indiano por

O Botafogo não dá trégua ao sofrimento, mas eu bem que tentei.

Mesmo envolto ao tempo ruim que tem feito no Rio de Janeiro e precedido por um péssimo dia, embarquei em mais uma tentativa de ver um jogo sem as velhas dificuldades de sempre, com o Botafogo soberano em seus domínios, vencendo e convencendo. Um belo brinde aos ingênuos, diga-se de passagem!

A vitória sobre o Vasco me deu uma falsa impressão de que ontem continuaríamos uma boa sequência, afinal, estávamos em casa diante do lanterna do campeonato que fez meros 4 gols, ainda acumulando 6 derrotas. Mas eu teimo em acreditar que um dia haverá lógica nas nossas vidas. Eu bem que tentei idealizar algo inédito, mas custo a entender que Botafogo e lógica não se combinam.

Eu bem que tentei, mas perdi a entrada em campo, pelas longas filas que cresciam na porta do estádio. Foram quase 10 minutos na desorganização imaginando até que estariam mais do que 15 mil pessoas para ver talvez a festa do Jefferson ou uma boa vitória e o salto no campeonato. Outro engano. As mais de 8 mil almas, que pareciam todas do lado de fora naquele momento, saíram ao final, novamente decepcionadas e com razão. Esse time de hoje não merece nem esses que enfrentam todas as dificuldades nos caminhos. Estava ali junto aos demais da mesma forma, frustrado como várias outras vezes esse ano. Acreditem, não está sendo nada fácil.

Eu bem que tentei, mas o que consegui ver em campo foi o mais do mesmo. Dificuldades de criação, passes errados, laterais esgotando a paciência e palavrões, muitos palavrões.  O que nós vemos em 2018 não é feio, nem bonito, não tem identidade, não ataca, não defende e às vezes me leva a crer até que não existe. São remendos e arremedos sob as mãos de um técnico que não consegue dar padrão. O Botafogo inexiste de recursos, chutes de longa distância, força ofensiva e confiança no seu torcedor. Aliás, como acreditar em quem não consegue fazer gol no Ceará?

Eu bem que tentei, mas não consigo ouvir as velhas desculpas do nosso técnico. Ontem foi a vez do cansaço e do ritmo intenso da temporada. Essa, que chegamos ao meio do ano disputando duas competições, sendo praticamente uma e com jogos a maioria aos finais de semana, descansado. Se o Valentim trocasse cada pulo à beira do campo por uma jogada ensaiada, nós seríamos parelhos ao Barcelona até e não teríamos coletivas cercadas por tantas falácias.

Enquanto ainda não conseguimos saber qual o caminho que esse Botafogo vai trilhar ao longo do ano, talvez um dia a esperança me volte, até nos textos repletos de lamentos como nosso técnico nas coletivas. E o dia que começou péssimo, e tinha tudo para terminar diferente, não terminou. Eu desejaria muito expressar uma grande vitória, mas dessa vez, fica para próxima.

Me desculpe, Valentim, eu bem que tentei.

 

Foto: Marcelo de Jesus/Agencia O Globo

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