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FLÁVIO RAMOS: SOMOS O SONHO DO CRAQUE FUNDADOR

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Flávio da Silva Ramos nasceu em 14/04/1889 no Rio de Janeiro e faleceu a 14/09/1967 também no Rio, após ter visto o seu mais ambicioso sonho transformar-se numa realidade que nem ele imaginaria.

O BILHETE INTERCEPTADO NA AULA DE ÁLGEBRA 

Corria o ano de 1904 e na aula de álgebra do 4º ano do Colégio Alfredo Gomes localizado no Largo dos Leões, Flávio Ramos, então com 15 anos, teve uma ideia e entregou um bilhete ao colega de classe Emmanuel Sodré que tinha mais ou menos a seguinte mensagem: “O Itamar Tavares tem um clube de futebol que joga na rua Martins Ferreira. Vamos fundar outro? Podemos falar com o Arthur César, o Vicente e os irmãos Werneck. O que você acha? ”

Neste momento o rigoroso professor General Júlio Noronha, intercepta o bilhete e numa atitude surpreendentemente branda, apenas advertiu levemente os adolescentes, alertando não ser aquele o momento mais apropriado para conversas daquele tipo, ressaltando, porém, que apoiava qualquer ideia relativa à prática de esportes…

Seria um bom presságio para o nascimento do Glorioso?

O SONHO VIRA REALIDADE E NOSSA MADRINHA: D. CHIQUITOTA

Na tarde de sexta-feira de 12/08/1904, o Electro Club foi fundado para a prática do futebol por vários adolescentes, todos entre os 14 e 16 anos, reunidos num velho casarão que fazia esquina da rua Humaitá com o Largo dos Leões, cedido por D. Chiquitota, avó de Flávio Ramos.

O nome Electro Club permaneceu até o dia 18 de setembro. Neste dia, foi realizada outra reunião na casa de Dona Chiquitota, que se assustou ao saber o nome do clube: “Meu Deus! Que falta de imaginação! Morando no bairro que vocês moram, o clube só pode se chamar Botafogo!”

Dona Francisca Teixeira de Oliveira ou simplesmente dona Chiquitota, toda a nação alvinegra agradece imensamente esta sua opinião tão sensata…

Já pensaram nós sermos os torcedores do Electro Club? E assim, o Electro passou a se chamar Botafogo Football Club.

Neste mesmo dia, tomava posse uma nova Diretoria: tanto Flávio Ramos como Emmanuel Sodré, numa rara perspicácia para garotos tão jovens, abriam mão de seus cargos administrativos para que o clube não tivesse um destino como tantos outros de desaparecer poucos meses após à fundação.

Sendo assim, Alfredo Guedes Mello assumia a presidência acompanhado de uma diretoria composta por homens mais velhos e experientes.

O SÓCIO FUNDADOR Nº 1 REVELA-SE COMO CRAQUE

Flávio foi o sócio fundador número 1, o primeiro presidente do clube em 1904 e foi jogador desde o primeiro jogo em 01/11/1904 contra o Internacional (RJ). Naquele 0 X 0, atuou como goleiro.

Logo suas habilidades como jogador de linha e principalmente como atacante tornam-se tão evidentes que a partir do segundo jogo e na primeira vitória do Botafogo (1 X 0), no quarto jogo de sua história contra o Petropolitano Football Club, em 21/05/1905, o nosso artilheiro foi exatamente Flávio Ramos.

UM NOME INESQUECÍVEL PARA TODOS OS ALVINEGROS

Ter sido o idealizador, fundador, sócio número 1, primeiro Presidente e o anotador do primeiro gol da nossa história já seria o suficiente para colocar Flavio Ramos de maneira inconteste como um dos principais personagens da nossa história, mas ele foi ainda mais…

O CAMPEÃO E ARTILHEIRO IMPLACÁVEL

Flávio à sua época ficou conhecido como um centroavante com notável precisão em suas finalizações.

Campo da Voluntários da Pátria, no dia 30/05/1909, nas imediações de onde hoje localiza-se a Cobal

Seu recorde de gols numa única partida foram 7 no histórico 24 X 0 contra o Mangueira em 30/05/1909 no campo da rua Voluntários da Pátria.

Participou das primeiras equipes campeãs da nossa história: 1907 e 1910.

Foi artilheiro do campeonato estadual em 3 anos consecutivos: em 1907 (6 gols), 1908 (8 gols) e 1909 (18 gols).

Ao encerrar sua carreira como futebolista, Flávio havia anotado 58 gols em 58 partidas com a impressionante média de 1 gol por jogo.

Ainda teve breve passagem como nosso técnico em 1928.

25/09/1910 = Botafogo 6 X 1 Fluminense (Flávio Ramos, como sempre, é o segundo sentado da esquerda para a direita)

A INJUSTIÇA DA LIGA CONTRIBUI PARA A FORMAÇÃO DA ALMA ALVINEGRA

Em 1911, éramos campeões cariocas, muitos diziam que a nossa equipe era a melhor do país e já tínhamos o apelido de “Glorioso” em função das goleadas implacáveis iniciadas em 1909 e pela campanha campeã em 1910 na qual anotamos 66 gols em 10 jogos.

Porém, na terceira rodada do campeonato carioca de 1911 no jogo contra o América, nós líderes do campeonato, empatávamos em 1 X 1 quando Flávio Ramos sofre uma violentíssima falta de Gabriel de Carvalho.

Abelardo Delamare ao defender Flávio, contribuiu para que a discussão se transformasse numa briga generalizada.

Após o ocorrido, a Liga definiu as punições: Gabriel do América, autor da entrada desleal sofreria suspensão de 30 dias e Abelardo Delamare seria suspenso por 1 ano!

A Presidência e Diretoria solidarizaram-se com os jogadores, encaminhando um ofício à Liga solicitando o desligamento da mesma, face à tamanha injustiça.

A entidade não só aceitou a desfiliação como reiterou em resposta que o Clube só voltaria à entidade caso o atleta cumprisse a suspensão.

A assembleia-geral do clube ratificou a decisão tomada, o que fez o Botafogo viver uma de suas piores fases da sua existência, regressando apenas em 1913.

O icônico jornalista Mário Filho que mais tarde seria homenageado batizando o Maracanã, escreveria numa crônica: “Isolando-se em 1911, o Botafogo ficou mais Botafogo. Quem era Botafogo, compreendeu por que era Botafogo, ficou sabendo por que não podia ser de nenhum outro clube. Eis o que dá ao Botafogo uma fisionomia própria e única”. ‘O Clube da Capa e Espada’, o D’Artagnan do Século XX, que sacrificou a possibilidade de conquistar o seu primeiro bicampeonato para ficar ao lado de um de seus soldados.”
A ESPORTIVIDADE E HONRA ACIMA DE TUDO 

Flávio tinha o mais elevado nível de ética e mostrava-se um desportista irretocável, muito antes das campanhas de “fair play”.

Após largar o futebol ainda praticou remo, atletismo e patinação.

Em famoso episódio da década de 30 quando assistia a uma partida entre o Botafogo e o América (olha o adversário aí de novo…), o atacante alvinegro Álvaro fez uma falta violentíssima num jogador do América.

Flávio levantou-se da arquibancada e gritou para o juiz expulsar o jogador do Botafogo. Álvaro não gostou, baixou as calças em protesto.

Flávio não se fez de rogado e entrou em campo chegando “às vias de fato” com Álvaro.

AGRADECIMENTO DA NAÇÃO ALVINEGRA E CONTINUIDADE 

Flávio da Silva Ramos, podemos chama-lo só de Flávio? Acho que sim…

Nós irmãos de camisa estamos um pouco confortados porque quando nos deixou no agora longínquo 1967, você já tinha vivenciado, temos certeza, a realização dos seus mais doces e inebriantes sonhos traduzidos pelo tetracampeonato na década de 30 e por craques inesquecíveis.

Sim, você viu Carvalho Leite, Heleno, Nilton Santos, Didi, Amarildo, Garrincha, Jairzinho e tantos outros…

Viu um Brasil bicampeão mundial em 58 e 62 tendo sua espinha dorsal formada pelo nosso Glorioso.

Olha, onde quer que você esteja, saiba que nós atravessamos momentos muito difíceis após a sua morte. Algumas injustiças tão revoltantes quanto àquela de 1911, mas nós resistimos e estamos firmes.

Muitos foram escolhidos e muitos ainda serão.

Nossa estrela jamais irá se apagar.

Apenas e Sempre Botafogo! Saudações alvinegras.

 

Pesquisa:

http://www.falaglorioso.com.br

http://mundobotafogo.blogspot.com.br

https://fogoonline.wordpress.com

http://anotandofutbol.blogspot.com.br

Wikipédia e arquivos pessoais do autor.

Crédito foto Botafogo 24 X 0 Mangueira: Acervo da Bola

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