Intimado, ex-presidente chega em silêncio para depor e não fala com a imprensa

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Começou a investigação solicitada pelo Botafogo sobre seu ex-presidente Maurício Assumpção e o então diretor executivo Sérgio Landau, sob a alegação de favorecimento à Odebrecht, administradora do Maracanã, com a interdição em 2013 do Engenhão (rebatizado de Estádio Nilton Santos). Na manhã desta terça-feira, o antigo mandatário alvinegro cumpriu a intimação e compareceu à 5ª Delegacia de Polícia, no Centro do Rio de Janeiro, para prestar depoimento.

Assumpção chegou em silêncio, acompanhado de seu advogado Bruno Albernaz e não quis falar com a imprensa. A intimação foi realizada graças a uma notícia crime apresentada pela atual diretoria em outubro. Segundo o clube, a suspeita ocorre porque, naquele mesmo momento, o Botafogo conseguiu um empréstimo de R$ 20 milhões junto à Odebrecht “em condições suspeitas e com graves prejuízos”, como descreve a nota publicada no site oficial na ocasião.

Além da polícia, o Botafogo também procurou o Ministério Público através do promotor Marcelo Muniz Neves, da Promotoria de Investigação Penal (PIP), que enviou um ofício ao juiz comunicando a existência de um inquérito policial. O documento já está, inclusive, inserido ao processo. Depois do Assumpção prestar depoimento, a polícia decide se vai levar o caso para frente, encaminhando ao MP-RJ. O órgão, então, define se o caso vira ação penal ou não.

O GloboEsporte.com entrou em contato com o advogado Walmer Machado, que representa o Botafogo na ação. Segundo ele, o clube vai provar que o empréstimo foi indevido e ainda pedir uma indenização pelo que o Alvinegro deixou de lucrar.

– Ocorreu, em tese, um pagamento de indenização (R$ 20 milhões) disfarçado de contratos de mútuo, uma vez que, a Odebrecht não é Banco e nem Financeira para emprestar um vultoso valor. O mais curioso de tudo, é que os contratos de mútuo possuem objeto indefinido, ou seja, algo futuro. Sem falar que na época o Botafogo estava, literalmente, quebrado, não tinha a menor condição de conseguir dinheiro na praça. Mas como a Odebrecht é magnânima, emprestou para obter no futuro – disse ele, que completou:

– O valor de R$ 20 milhões se refere a uma indenização pelo que o Botafogo perdeu e deixou de lucrar com a duvidosa e questionável interdição do Engenhão por dois anos, já que é legítimo concessionário.

Entenda o caso

 Ex-presidente Assumpção é acusado de favorecer Maracanã com interdição do Engenhão (Foto: infoesporte)

Ex-presidente Assumpção é acusado de favorecer Maracanã com interdição do Engenhão (Foto: infoesporte)

O Botafogo apresentou no último dia 26 uma notícia crime contra o ex-presidente Maurício Assumpção. Ele é acusado de favorecer a Odebrecht, concessionária do Maracanã, com a interdição do Nilton Santos em 2013. Entre os citados na denúncia está Benedicto Barbosa da Silva Júnior, campeão de delações na Lava Jato.

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura delatou 30 pessoas na Lava Jato, um recorde na operação. O GloboEsporte.com teve acesso ao documento que mostra que é Benedicto quem assina o empréstimo ao Botafogo.

O outro ex-executivo da Odebrecht que assina o empréstimo ao Botafogo é Leandro Azevedo, ex-superintendente da empresa no Rio de Janeiro. Ele também fez acordo de delação premiada na operação Lava Jato, e delatou uma série de políticos que teriam recebido caixa 2 da Odebrecht.

Construído para o Pan-Americano de 2007, o, agora, Nilton Santos custou R$ 380 milhões e completou 10 anos em 2017. Em 2013, a Prefeitura do Rio anunciou que o estádio precisaria passar por um reforço estrutural imediato por conta do risco de queda da cobertura em caso de ventos acima de 63 km/h. O local teve reforço de estrutura calculado em R$ 200 milhões após interdição – custo estimado da reforma que inseriu mais 1.500 toneladas de aço no estádio.

Fonte: Globoesporte.com

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