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JAIRZINHO – A FORÇA IRRESISTÍVEL DE UM FURACÃO

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Jair Ventura Filho, nosso eterno Jairzinho, nasceu em Duque de Caxias (RJ) em 25/12/1944.

INÍCIO NUM AMBIENTE MÁGICO:

Como o acaso parece não existir mesmo, Jairzinho começou a ser escolhido quando sua família muda de Duque de Caxias para o Rio de Janeiro e vai morar nos arredores de General Severiano no final da década de 50.

O adolescente começa a frequentar o clube em 1958, inicialmente ajudando como gandula. Jairzinho deliciava-se vendo os treinos de astros como Nilton Santos, Quarentinha, Didi, Gérson, Amarildo e Garrincha, dentre outros.

Com ambiente tão propício, seu talento incomum que ali florescia, proporcionou ao tímido gandula testes no começo dos anos 60.

Rapidamente foi incorporado ao time de juvenis da Escola de excelência de Neca que nos daria 5 títulos nos anos 60: 1961, 1962, 1963, 1964 e 1966.

TRICAMPEONATO DE JUVENIS E UM DOCE PRESSÁGIO?

Jairzinho foi tricampeão de juvenis em 1961, 1962 e 1963.

O jogo de despedida dos juvenis, realizou-se em 16/06/1963 em General Severiano: Botafogo 6 X 0 Flamengo.

Neste dia Jairzinho não fez gols: Roberto Miranda anotou 2, Othon 2, Dedé 1 e Mário fez 1 contra.

Mas este resultado e adversário se repetiriam anos mais tarde nos profissionais, num 15 de novembro e a atuação de Jairzinho teria uma importância diferente…

Cena comum na carreira: Jairzinho deixando para trás um marcador. Neste caso, Denílson do Fluminense num jogo de juvenis.

1963: UM ANO MARCANTE

1963 foi fundamental para Jairzinho.

Além do tricampeonato de juvenis, foi o ano da efetivação na equipe de cima do Botafogo, no segundo semestre e da primeira convocação para a Seleção Brasileira: a que foi campeã nos Jogos Pan Americanos realizados em São Paulo.

Futuramente o próprio Jairzinho afirmaria que a campanha dos Pan Americanos na qual ele participou de 4 jogos e anotou 2 gols, tornou-o conhecido em todo o Brasil e ajudou a alavancar sua carreira.

UM CRAQUE COMO POUCOS NUMA CONSTELAÇÃO

Jairzinho chegou ao Botafogo numa era de ouro que talvez nunca mais se repita. A grande quantidade de jogadores excepcionais formava um plantel temido no mundo inteiro que tinha sido a espinha dorsal do bicampeonato mundial de 1958 e 1962, tendo como rival apenas o Santos no Brasil e talvez Benfica e Real Madrid na Europa.

Suas atuações como atacante (“ponta de lança” como chamavam na época) a partir de 1964 seriam comparadas a jogadores da linha de frente do naipe de Quarentinha, Garrincha, Amarildo, além da concorrência que teria com contemporâneos que subiam da fábrica de craques do Neca, em especial Roberto Miranda.

UM EXTRA-CLASSE VIRA FUNDAMENTAL NUM PLANTEL DE SONHOS

Mas o que a princípio poderia ser uma dificuldade acabou sendo um padrão comparativo muito elevado e foi digerido pelo seu raro talento: o que dirigentes, torcida e imprensa viram é que a dinastia de atacantes fenomenais no Glorioso estava longe de acabar com o envelhecimento natural de Quarentinha e Garrincha dentre outros.

O menino Jairzinho por ser o mais novo, passa a ser titular inquestionável e formando ataques extraordinários com companhias de três gerações distintas: com Garrincha, Quarentinha e Zagallo, mais tarde com Rogério, Roberto Miranda e Paulo Cézar ou depois com Zequinha, Fischer e Ferretti.

O que saltava aos olhos era a combinação raríssima de inteligência, capacidade técnica, habilidade para o drible, coragem e explosão muscular impressionante.

Tais atributos conferiram a Jairzinho a capacidade indistinta de atuar pelas pontas, como centro avante ou até como meio campo avançado dependendo do adversário e/ou momento da partida. E ele cumpria todas as funções de forma genial!

AS CONTUSÕES: VIOLÊNCIA DOS MARCADORES TAMBÉM DRIBLADA

Com tanta habilidade e contundência nas suas atuações, Jairzinho começa a ser literalmente caçado em campo numa época muito mais permissiva com jogadas violentas (e até maldosas) e com uma economia avarenta na punição por violência e indisciplina, visto que os cartões só foram implantados como instrumento de trabalho dos juízes na Copa de 1970.

Em 1966 depois de uma entrada criminosa do lateral esquerdo Oldair do Vasco, Jairzinho tem os seus quarto e quinto metatarsianos do pé esquerdo fraturados. Uma volta depois de longo tempo e uma refratura quase imediata colocam Jairzinho e os médicos numa encruzilhada: ele seria o primeiro atleta a submeter-se a um enxerto ósseo na derradeira tentativa para que ele voltasse a andar direito (nem se falava mais na sua carreira). Longa inatividade… e volta apenas no segundo semestre de 1967…. bem, parece que o enxerto deu certo…

11/05/1968, anel superior do Maracanã lotado para assistir Botafogo 3 X 0 América (gols de Humberto, Jairzinho e Gérson).

09/06/1968, o Maracanã lotado assiste Botafogo (bicampeão estadual) 4 X 0 Vasco, gols de Roberto, Jairzinho, Gérson e Rogério.

Em 1971 o violentíssimo zagueiro Moisés num outro Botafogo e Vasco, numa dividida com Jairzinho afasta-o dos gramados por mais de 6 meses, só voltando após operar o joelho. Moisés depois gabava-se de ter “entrado para rachar mesmo” afinal “zagueiro que se preza não ganha prêmio Belfort Duarte”. Bem, a história do futebol tratou de dar o devido valor a cada um.

Pouco depois da volta, Jairzinho tem um esfacelamento gravíssimo no músculo da perna esquerda, afastando-o quase 2 anos dos gramados. Nesta época ele próprio pensou que sua carreira tinha acabado, mas felizmente este adversário, como todos os outros, foi implacavelmente driblado e Jairzinho volta aos gramados no segundo semestre de 1972, a tempo de protagonizar uma tarde inesquecível para nós.

O NOSSO DOCE PRESENTE DE ANIVERSÁRIO

Em 15/11/1972 dia do aniversário de fundação do Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro, 46.279 pessoas no Maracanã testemunharam um belo presente que Cao, Mauro Cruz, Waltencir, Osmar, Marinho Chagas, Carlos Roberto, Nei Conceição, Ademir Vicente (depois Marcos Aurélio), Zequinha, Fischer (depois Ferretti) e Jairzinho ofereceram ao aniversariante: Botafogo 6 X 0 Flamengo, gols de Jairzinho (3, o último de letra), Fischer (2) e Ferretti. Uma atuação de gala!

O tom da manchete e das linhas denunciam o time do editor do Jornal… engraçado… eu amanheci contente… a legenda da foto dispensa comentários a respeito de quem foi o maior de todos em campo.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Após sucumbir junto com outros craques como Pelé e Garrincha, numa campanha pífia em 1966 cuja incompetência e soberba na preparação pode ser simbolizada pelos 47 jogadores convocados, Jairzinho é convocado para 1970 num projeto e mentalidade inéditos.

Uma equipe multidisciplinar composta pelos precursores de fisiologia e preparação física direcionada (Carlos Alberto Parreira e Cláudio Coutinho), planejaram uma preparação minuciosa que levava em consideração a perfeita aclimatação à altitude mexicana, bem como a alimentação e preparação física para os horários de jogos (todos seriam disputados sob sol escaldante).

Tudo isto comandados pelo técnico Zagallo que numa ousada e inédita decisão juntou 5 craques no meio de campo ofensivo e ataque que em seus clubes de origem eram os camisas 10: Jairzinho, Gérson, Tostão, Pelé e Rivelino.

O CETICISMO DA IMPRENSA E O ”ELEITO” PARA A RESERVA

Rapidamente a imprensa especializada teceu seu julgamento: isto jamais daria certo! E ainda elegeram o que teria a menor capacidade de adaptação àquele esquema inusitado: Jairzinho. Realmente a imprensa só tinha “entendidos”…

CAMPANHA IRRETOCÁVEL E O SURGIMENTO DO FURACÃO

A campanha foi brilhante: 6 jogos, 6 vitórias, 19 gols a favor, 7 contra e Jairzinho com 7 gols torna-se o único jogador na História (e isto persiste até hoje) a marcar gols em todos os jogos de uma Copa do Mundo.

O Furacão (“Huracán” para os mexicanos ou “The Hurricane” para a estupefata imprensa mundial) surge como o termo mais adequado para descrever tamanha capacidade física e técnica que varreu todas as defesas adversárias de maneira avassaladora.

21/06/1970: final da Copa, Brasil 4 X 1 Itália e mais uma vez Jairzinho deixava sua marca.

1974 E OS JULGAMENTOS ESTÚPIDOS

Contando com uma seleção muito renovada que tinha apenas Jairzinho e Rivelino como egressos dos titulares de 1970, enfrentando uma Alemanha em casa comandada por Maier, Beckenbauer e Breitner, a revolução tática da Holanda de Cruyff, Krol e Neeskens e a melhor Polônia da história com Lato, Zmuda e Deyna, o Brasil “amarga um vergonhoso 4⁰ lugar” segundo a imprensa à época.

Jairzinho então com 30 anos e após 3 contusões gravíssimas que o afastaram quase 2 anos dos gramados, já não tinha a exuberância de 4 anos antes, mas ainda assim numa campanha de apenas 7 gols, fez 2 (um contra o Zaire e um contra a Argentina).

Na volta, a imprensa promoveu uma autêntica “caça às bruxas” de todos os jogadores e comissão técnica nas “mesas redondas” televisivas que pipocavam por todos os canais de TV.

“Autoridades em futebol e futuro” sentenciaram que sem Pelé jamais seríamos campeões de novo, que Rivelino era lento demais no meio de campo e que Jairzinho apenas um jogador mediano, só tinha sido aquele furor em 70 porque “qualquer um jogaria e faria nome naquela equipe”… chega a ser engraçada tamanhas cegueira e estupidez.

REVERÊNCIA JUSTA NO EXTERIOR E NO BRASIL

Naquela época a disseminação da informação começava a engatinhar e os “profetas do apocalipse do futebol”, de maneira ardilosa, não divulgavam algumas verdades que hoje facilmente acessamos na internet.

Por exemplo: Sir Alfred Ramsay, técnico da seleção inglesa campeão de 1966 e que fez o melhor jogo da copa de 70 justamente contra o Brasil, afirmou que mesmo Pelé não era tão difícil de ser marcado quanto Jairzinho, elegendo-o como o maior fator de desequilíbrio a favor do Brasil naquela memorável conquista.

07/06/1970, após jogada genial de Tostão e passe de Pelé, Jairzinho fuzila inapelavelmente Gordon Banks, talvez o melhor goleiro do Mundo naquela época. Brasil 1 X 0 Inglaterra. Por conta do uniforme do English Team, a Seleção Brasileira jogou de meias cinzas…. isto lhe lembra alguma coisa ?

João Saldanha dentro daquela seleção, considerada por muitos a melhor de todos os tempos, elegeu 3 expoentes naquele elenco estelar: Pelé, Gérson e Jairzinho.

Ainda bem que hoje temos um acesso massivo às informações e que 1970 foi a primeira Copa que realmente produziu um material de boa qualidade e razoavelmente extenso.

Assim, as novas gerações podem comprovar a constatação do craque Tostão: Jairzinho é um dos maiores atacantes de toda História do futebol.

E como a verdade é incontestável hoje não existem vozes na imprensa que ousem discordar disto, primeiro porque as evidências e registros são escandalosos, depois porque correriam o risco de serem considerados desconhecedores de futebol.

FIM DE CARREIRA

Jairzinho vai para um curto período no Olympique de Marselha (França) no período 1974/1975 (mais uma evidência que o seu desempenho na Copa de 74 ainda foi diferenciado), retornando ao Brasil em 1975 para ser campeão mineiro neste ano e um dos principais expoentes da campanha do Cruzeiro (MG) campeão da Libertadores de 1976 anotando 12 gols.

Depois de breves passagens por: Portuguesa (Venezuela), Noroeste (SP), Fast Club (AM) e Jorge Wilstermann (Bolívia), retorna para encerrar sua carreira em 1981, aos 37 anos no Glorioso.

PRINCIPAIS TÍTULOS PELO GLORIOSO

Torneio Rio-São Paulo – 1964 e 1966, Campeonato Carioca – 1967 e 1968 e Taça Brasil (Campeonato Brasileiro) – 1968.

NÚMEROS DE UM ATACANTE GENIAL

Botafogo: 183 gols em 413 partidas

Seleção Brasileira: 44 gols em 101 jogos

COMO PROFESSOR, FORMANDO CIDADÃOS E UMA DESCOBERTA FENOMENAL 

A estreia como treinador foi no Nineth October, do Equador, em 1982. Dois anos depois, ele estava novamente conosco, para trabalhar no time de juniores do Glorioso.

Comandou o Londrina, Al Wiahda (da Arábia Saudita), Bonsucesso-RJ e Mesquita-RJ. Mas foi no São Cristóvão-RJ que ele fez uma grande descoberta… um certo garoto que tinha suas características e talento tão especial: Ronaldo Fenômeno.

Na década de 90, aceitou o convite para ensinar futebol para jovens no Japão. Na Grécia, ele dirigiu o time do Kalamata. De volta ao mundo árabe, foi técnico do Ittefac.

Teve breves aventuras como Cartola no Campo Grande-RJ e Caxias-RS.

Mas permanecia uma certa dificuldade para trabalhar com adultos no campo: por mais condescendente que fosse, era complicado para Jairzinho entender porque a grande maioria dos jogadores tinha tanta limitação técnica para fazer o combinado, afinal ele realizou aquilo mesmo com tanta naturalidade…

Sendo assim, a partir dos anos 2000 Jairzinho dedica-se na formação de garotos em sua escolinha de futebol gratuita, sempre deixando claro que quer formar, antes de tudo, cidadãos. Aliás, um aspecto bastante fácil para ele, bastando constatar o sólido núcleo familiar que ele conquistou no seu lar.

Com a companheira de longa data: Tereza Cristina.

A ESTÁTUA

Em 2011 numa justa homenagem, tivemos o privilégio de materializar em estátua, na ala Oeste do Estádio Nilton Santos, sua inesquecível história conosco.

Você está bem acompanhado…. Nilton Santos, Garrincha e Heleno, dentre outros, também estão lá.

O LEGADO 

O apelido de Furacão rende homenagens e até virou uma marca registrada, mas é pouco. A genialidade e talento incomuns fixaram sua passagem pela História do Futebol Mundial e trouxe para nós alvinegros uma marca, ouso dizer, que nenhum clube do mundo terá: ao desfilar seu futebol pela ponta direita da Seleção, posição completamente diferente na qual jogava no Glorioso, deu-nos a dádiva de ter, simplesmente, os dois maiores ponteiros direitos da História das Copas e do Futebol.

É Jairzinho… é por isso que incomodamos tanto…. dentre outras coisas, não bastasse termos o inesquecível Anjo das pernas tortas Garrincha, tivemos você a ocupar a mesma faixa de campo por anos a fio nos jogos da Seleção: as três primeiras estrelas na camisa da CBF deveriam ser alvinegras…

Apenas e Sempre Botafogo. Saudações Alvinegras!

Pesquisa e Créditos:

“Placar Magazine” edição n⁰ 654, fotos de 1963: “Imortais do Futebol”, fotos de 1968, contra a Itália 1970 e contra o Fluminense nos juvenis: “Álbum dos Esportes”, foto contra Inglaterra 1970: “www.tardesde pacaembu.wordpress.com.

Foto 6 X 0: “Aqipossa 40 anos de Botafogo”.

Foto com esposa: “Caras.uol.com.br”

Foto estátua: “www.globoesporte.com”

http://datafogo.blogspot.com.br, http://terceirotempo.bol.uol.com.br,

https://esporte.uol.com.br, http://selecao.cbf.com.br, http://www1.folha.uol.com.br,

http://www.botafogo.com.br, http://trivela.uol.com.br,

http://mundobotafogo.blogspot.com.br

Wikipédia e arquivos pessoais do autor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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