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Társilo Coutinho

O Discurso, A Prática e A Realidade.

Publicado

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Reprodução/Premiere

Foram cerca de vinte dias de treinamento, que segundo nosso técnico, seriam utilizados para trabalhar especificamente dois pontos importantes: a parte ofensiva e a adequação física ao estilo de jogo pretendido por Barroca.

Com um dos piores aproveitamentos na parte ofensiva entre todos os times do campeonato, o Botafogo entrou em campo contra o Cruzeiro na sexta posição da tabela e jogou os noventa minutos para garantir essa posição. Se o objetivo central era esse, e durante a partida a estratégia ficou clara que sim, então tal objetivo foi alcançado. Pensando friamente, jogo no Mineirão contra um adversário embalado, vindo de um resultado muito positivo diante do principal adversário no meio da semana, com elenco muito superior ao nosso em quase todas as posições, a conquista de um ponto e a manutenção da sexta colocação seria algo que estaríamos comemorando como um resultado aceitável e até, de certa forma, bom. Mas é inegável que o sentimento de frustração e desalento pelo que foi visto em campo, pelo que não produzimos e sobretudo pela absoluta inoperância ofensiva, beirando a indolência, para ficar num termo brando, que permanecem na percepçãodo torcedor alvinegro.

O primeiro tempo começou com o Cruzeiro partindo para cima do Botafogo, apostando na velocidade de seus atacantes e na capacidade de Thiago Neves de criar situações de perigo. O Botafogo buscou povoar o meio e fechar as laterais com Luiz Fernando pela esquerda e Erick pela direita, executando a função de “primeiros laterais” enquanto Gilson e Marcinho exerceram a posição de “lateral de sobra”. Justiça seja feita, Barroca não inventou essas posições, uma vez que a maioria esmagadora dos técnicos nos maiores centros de futebol do mundo recorrem a esse expediente. E mesmo com a saída de Luiz Fernando, devido a mal estar, o Botafogo não sofreu maiores sustos, tanto por manter a posse de bola, ora com os jogadores de defesa, ora com jogadores de meio campo, quanto pela inoperancia do adversário. Biro-Biro, recém-contratado, também ficou de fora até do banco de reservas devido a uma febre e foi com o substituto de Luís Fernando, Rodrigo Pimpão, que chutamos ao gol celeste pela primeira e única vez no primeiro tempo. Na verdade, poderíamos praticamente considerar um recuo de bola aquilo que Pimpão pretendeu que fosse um chute.

No segundo tempo, pouca coisa mudou, a não ser o fato de que tanto Cruzeiro quanto Botafogo tiveram cada, uma chance de gol. Pimpão, sempre ele nos momentos decisivos, teve a melhor das chances mas foi ridiculamente desperdiçada. O jogador, que negocia sua renovação com o Botafogo, deseja um contrato de dois anos. Sinceramente, não sei como ficará minha sanidade mental com mais dois anos de Pimpão. Em nenhum lugar do mundo jogadores são premiados com novos contratos por entregarem tão pouco. Pode ser voluntarioso, dedicado, sério nos treinamentos, excelente contador de piadas na concentração, mas na atividade principal para qual é contratado, ele simplesmente é um jogador medíocre com lampejos muito esporádicos, que somente uma torcida tão carente e machucada como a do Botafogo consegue ainda nutrir alguma admiração.

A verdade, Helenos e Helenas, é que Barroca quando foi contratado falou em coragem e protagonismo, bola-porrete, entre outros termos de efeito. Os resultados obtidos até aqui sob seu comando, nos permitem afirmar que temos mais pontos hoje do que esse time normalmente seria capaz de entregar. Porém, controlar a bola na defesa e no meio, praticamente abdicando de atacar, negam completamente os “conceitos” do treinador. Brincando com a metáfora barroqueana, se a bola é porrete, o que fazemos é tomar o porrete do adversário e sair correndo com ele pelo ringue, fugindo como podemos para evitar de entregá-lo de volta ao adversário e sermos liquidados com uma porretada na nuca, como aconteceu contra São Paulo e Goiás. Por enquanto, temos tido a coragem de sermos covardes e somos protagonistas de um futebol peculiar e adepto do não-jogo. Não somos só defesa, não jogamos no contra-ataque, não somos ofensivos, não fazemos tikka-takka como o Barcelona. Fazemos o que no boxe é conhecido como clinch, que consiste em travar o adversário com um abraço, tirando dele a capacidade de atacar, mas também tirando a nossa capacidade de fazer o mesmo. Como é possível vencer sem chutar a gol? Torcendo por gol contra do adversário? Esse “estilo” é suficiente para nos levar aos 45 pontos e nos livrar da tragédia maior que seria o rebaixamento? É possível fazer com que jogadores se sintam motivados com dois meses de salários atrasados e nenhuma previsão de pagamento? É possível fazer futebol profissional com administração de padaria e expediente começando às 18:00, quando nosssos dirigentes terminam seus expedientes nas suas ocupações profissionais e só então chegam para ver o que se passou no dia do clube? É possível estarmos em julho e até agora não termos patrocínio master, sendo que até o mundo mineral sabia desde o ano passado que a Caixa não renovaria o contrato com o clube? É possível funcionar sem certidões negativas? Quem vai querer patrocinar um clube que não aparece na mídia e quando tem a chance rara de aparecer, seus jogadores estão em greve de entrevistas com a imprensa? Jogamos na velocidade de um Mufarrej. Sempre que um Pimpão perde um gol feito ou o Marcinho toca a bola para trás pela quingentésima vez, é o grupo Mais Botafogo e seus membros amadores, além dos agora “dissidentes” que estão ali, representados fidedignamente por esses jogadores. Para nosso azar, há pelo menos quarenta anos eles vem se revezando no poder e diminuindo jogo após jogo a chama que nos mantém acesos. Teremos três jogos dificílimos pela frente contra Santos e Flamengo pelo campeonato Brasileiro, além de Atlético Mineiro pela Sul Americana entre esses dois jogos. Que a coragem e o protagonismo estejam com a torcida do Botafogo, que sendo muito maior que os dirigentes, precisa entender que só ela será capaz de salvar o clube de seu ocaso. Domingo às 11:00 no Nilton Santos, sejamos todos Helenos e Helenas. Para que possamos ainda sonhar que em breve baniremos de vez a incompetência, o amadorismo, o oportunismo e sobretudo, a covardia de NOSSO clube. Atualizando a frase de nosso ídolo Heleno de Freitas, que tenho certeza concordaria comigo, o Botafogo não é lugar de covardes, amadores, nem de incompetentes!

Saudações alvinegras!

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