Redes Sociais

Colunas

O pensamento dos jogadores, técnico, presidente é o mesmo, ganhar do Botafogo, afirma presidente do Nacional

Publicado

em

Se no primeiro sorteio, ainda na Pré-Libertadores, os torcedores do Botafogo ficaram preocupados com o fato de as bolinhas terem colocado quatro campeões continentais em seu caminho, no das oitavas de final foi diferente. Depois de eliminar Colo-Colo (Chile), Olimpia (Paraguai), Atlético Nacional (Colômbia) e Estudiantes (Argentina), muitos alvinegros vibraram com o Nacional-URU, único time que estava no pote 2 que já havia conquistado a América. Afinal, superstição nunca é demais pelas bandas de General Severiano.

Basta ver que a única equipe que o Alvinegro não conseguiu superar até aqui na Libertadores foi o Barcelona de Guayaquil, do Equador, que nunca ganhou o torneio. A fama de “exterminador de campeões” na atual edição está crescendo, mas no Uruguai não pegou. Pelo menos ainda não. No Nacional-URU, não há temor quanto a isso para o duelo desta quinta-feira, às 21h45 (de Brasília), no Parque Central. O presidente José Luis Rodríguez prefere ver a situação sobre outro prisma: o recente retrospecto do Tricolor diante dos brasileiros.

– Bom, nós temos a esperança de eliminarmos o Botafogo e passarmos às quartas de final. Temos uma boa equipe, e creio que vai ser uma disputa equilibrada. Esperamos fazer bons jogos tanto em Montevidéu quanto no Rio. Também te digo que a partir da última Libertadores, o Nacional tem tido muito bons resultados contra times brasileiros – afirmou o dirigente, citando:

– Deixamos fora o Palmeiras, uma grande equipe, ganhamos lá e aqui; eliminamos o Corinthians em dois grandes jogos nas oitavas de final, empatamos aqui 0 a 0 e lá 2 a 2; e na atual edição deixamos fora a Chapecoense. Creio que temos feito grandes duelos, esperamos seguir essa série triunfal com o Brasil.

Rodríguez é tricolor de infância, mas na presidência é um marujo de primeira viagem. Aos 56 anos, nunca tinha trabalhado antes com futebol, mas encarou o desafio e vem obtendo êxitos. O time foi campeão uruguaio no ano passado, e em 2017 lidera a classificação geral no país. Inspirado em um antigo presidente que também não tinha experiência e logo no primeiro mandato ganhou a Libertadores e o Mundial em 1971, o atual mandatário sonha com conquistas internacionais agora e recuperar o status de um Nacional-URU forte na América do Sul.

Foto dos 10 mandamentos do Nacional-URU circularam nas redes sociais

Mas que seja na bola, como ele mesmo diz. Em entrevista em sua sala na sede do Nacional-URU, em Montevidéu, o presidente reivindicou o posto de maior campeão no Uruguai no lugar do Peñarol, explicou a alta de preço dos ingressos para visitantes, que vem gerando reclamações de botafoguenses; deixou vivo o sonho de ter Luis Suárez quando ele sair do Barcelona e afastou a polêmica dos “10 mandamentos” – em abril, a imprensa uruguaia revelou uma lista de indicação comportamental no vestiário antes de um clássico pelos juvenis, e o time ganhou por 3 a 0.

Questionado se teria mandamentos contra Botafogo, riu e respondeu:

– Não há mandamentos. O pensamento dos jogadores, técnico, presidente é o mesmo, ganhar do Botafogo. Mas ganhar no campo com as armas legítimas de qualquer jogo de futebol. Igual deve ter o Botafogo.

Veja a entrevista completa com o presidente do Nacional-URU:

GloboEsporte.com: Você é contador, nunca trabalhou antes com futebol, por que quis ser presidente?

José Luis Rodríguez: Faz 18 meses que sou presidente do Nacional. Antes era diretor geral de uma multinacional. Metade do ano não ficava no Uruguai, então não podia me dedicar ao futebol. Passado o trabalho na multinacional, um grupo de sócios começou a falar comigo para ser presidente. Cinco meses antes das eleições, começamos a formar um grupo de trabalho e, bom, a massa social do Nacional entendeu que era bom que eu fosse presidente. Já tem 18 meses que tenho esse orgulho. Eu sou torcedor do Nacional desde que nasci. Meus filhos são também, minha família toda.

Teve alguma inspiração no Miguel Restuccia (campeão da Libertadores e Mundial em 1971)?

Creio que Miguel Restuccia é uma inspiração para qualquer torcedor do Nacional. Ele foi um tremendo presidente, o primeiro campeão da América e do mundo com o Nacional em 1971. Era um torcedor de tribuna, igual sinto que também sou. Ele trouxe para o clube grandes jogadores, por exemplo o Manga, que jogou no Botafogo, foi um tremendo goleiro no Nacional. E ele cortou um ciclo que vinha sendo do Peñarol; conquistou a Copa Uruguaia quatro anos seguidos, em 69, 70, 71 e 72, ganhou a Copa Interamericana, que se jogava contra um rival mexicano…

Passar o Peñarol no posto de clube com mais títulos do Uruguai é uma meta possível, já que eles estão com 48 títulos e vocês com 46?

Não, Peñarol tem 43, e Nacional 46. Há uma discussão no Uruguai, se o Peñarol é continuador de um quadro desaparecido que tinha cinco títulos, chamado CURCC. A parte jurídica diz que não é um sucessor, e por isso tem 43 títulos. Eles têm que ganhar três títulos para se igualarem a nós.

Como avalia o momento do Nacional-URU?

Estamos fazendo um bom campeonato, estamos em primeiro na classificação anual, fomos campeões ano passado… O time vem jogando muito bem, temos um grande técnico como o Martín Lasarte. Estamos muito felizes com o desempenho da equipe e muito esperançosos com a Copa Libertadores.

E o que sabe do Botafogo?

É uma equipe que tem um estilo de jogo que não é o carioca típico, talvez um estilo gaúcho, ou de alguma maneira um estilo uruguaio. Fez uma fase classificatória muito boa, também na fase de grupos, e merecidamente o teremos nas oitavas.

No Brasil temos muitas recordações do Nacional-URU jogando no Centenário. Por que não jogam mais lá?

Primeiro porque temos o Parque Central. Neste momento é um estádio para 25, 26 mil pessoas, mas estamos fazendo obras de ampliação para 40 mil espectadores. Seguramente ficará pronto entre janeiro e fevereiro do ano que vem. E para todos os torcedores, lá é a nossa casa. Nacional reinaugurou o Parque Central em 2005. Desde então, todos os jogos como mandante são lá, com algumas exceções.

Os torcedores do Botafogo têm reclamado do preço dos ingressos de visitantes no jogo de quinta (valor é de R$ 160, na fase de grupos contra a Chapecoense foi R$ 120)…

Para um jogo da Libertadores, U$ 40 não acreditamos que é caro. Será o mesmo preço que o Botafogo vai colocar para a torcida do Nacional no Rio de Janeiro. Foi um acordo de pôr a mesma quantidade de entradas e o mesmo preço dos ingressos.

Falando um pouco do jogo de quinta, o Botafogo chegou à Libertadores desacreditado, mas já eliminou quatro ganhadores do torneio e ganhou fama de exterminador de campeões. Que fazer para não ser a próxima vítima?

Bom, nós temos a esperança de eliminarmos o Botafogo e passarmos às quartas de final. Temos uma boa equipe, e creio que vai ser uma disputa equilibrada. Esperamos fazer bons jogos tanto em Montevidéu quanto no Rio. Também te digo que a partir da última Libertadores, o Nacional tem tido muito bons resultados contra times brasileiros. Deixamos fora o Palmeiras, uma grande equipe, ganhamos lá e aqui; eliminamos o Corinthians em dois grandes jogos nas oitavas de final, empatamos aqui 0 a 0 e lá 2 a 2; e na atual edição deixamos fora a Chapecoense. Creio que temos feito grandes duelos, esperamos seguir essa série triunfal com o Brasil.

Os clubes vizinhos da América do Sul geralmente contestam o fato de que os brasileiros têm mais dinheiro para investir e reforçar os times. Também pensa assim?

O futebol não é um jogo direto, em que mais dinheiro tem e mais investe tem mais possibilidades de ganhar. Não necessariamente quanto mais grana tem… Por isso acredito que o esporte reina no mundo. É certo que com mais verba pode contratar jogadores que em teoria são melhores. Eu sinceramente me conformo com o pressuposto do Nacional tem, e com os jogadores que temos para esta Libertadores. Nos enfrentamentos de um contra um (mata-mata), as distâncias econômicas se esticam consideravelmente.

A folha salarial do Botafoo gira em torno de R$ 3,5 milhões por mês, é muito diferente da do Nacional-URU?

Considerando que o Real está mais ou menos U$ 3,5, seria U$ 1 milhão aproximadamente. É o dobro do Nacional.

Vocês não puderam contratar ninguém até agora por causa da janela do país, que ainda não abriu. Mas pretendem buscar algum reforço para o jogo de volta, no Rio?

Estamos vendo com o técnico, se há algum desfalque, e aí resolveremos. Conseguimos na Conmebol estender o prazo de inscrição até 48 horas antes do jogo de volta das oitavas porque terminando o campeonato que estamos agora no Uruguai, então teremos do dia 16 de julho até 7 de agosto. Vamos ver.

Vocês deram o nome do novo campo no CT de Luis Suárez, e o próprio craque esteve na inauguração. Acredita que ele voltará a jogar pelo clube?

Luis Suárez é um símbolo do Nacional, todos nós acreditamos que é o melhor 9 do mundo. Sabemos que ainda tem muitos anos na Europa, no Barcelona… Bom, se Deus quiser, quem sabe quando ele sair do Barcelona possa vir jogar um tempo aqui, onde é sua casa.

Mas quando ele esteve aqui, não rolou uma conversa ao pé do ouvido para vir jogar a Libertadores, de repente no próximo ano…?

(Risos) Tem mais quatro anos de contrato com o Barcelona. Luis sabe que se um dia quiser voltar a jogar no Nacional, tudo que tem que fazer é escolher o lugar e dizer: “Olhem que vou para lá”.

Eu acompanhei na imprensa uruguaia há pouco tempo a polêmica dos 10 mandamentos do técnico Cacique Medina no juvenil. É algo normal antes dos jogos?

Essa foi uma lista que apareceu no vestiário, ele não a publicou. Não demos nenhuma importância, é simplesmente algo motivacional. São coisas que se dizem no vestiário, acho que nunca deveria ter saído de lá. Mas sinceramente, demos pouca atenção a isso, aconteceu antes de um clássico, e o Nacional ganhou o Peñarol por 3 a 0, com uma grande atuação. O Cacique está como técnico dos juvenis, vem mostrando qualidades de destaque, e acreditamos que no futuro vai chegar, não só a ser um possível técnico do Nacional, mas a ser um técnico de nível mundial.

O Nacional-URU vai ter os 10 mandamentos na quinta também?

(Risos) Não há mandamentos. O pensamento dos jogadores, técnico, presidente é o mesmo, ganhar do Botafogo. Mas ganhar no campo com as armas legítimas de qualquer jogo de futebol. Igual deve ter o Botafogo.

Fonte: globoesporte.com.br/botafogo

Clique para Comentar

Newsletter

Anúncio Patrocinado

Facebook

%d blogueiros gostam disto: