Redes Sociais

Fábio Rocha

Orçamento 2019 e eu com isso?

Publicado

em

O QUE É ORÇAMENTO?

Por tratar-se de um relatório projetado (normalmente 12 meses futuros), ele é um indicativo de qual rumo a administração tomará naquele período, em termos de ações objetivas para que os números ali previstos, tanto de receitas como de despesas, tenham o menor desvio possível.

Portanto o Orçamento deve ser acompanhado e ajustado a cada fechamento mensal da Contabilidade que substituirá aqueles lançamentos de previsão pelos números efetivamente alcançados.

CRITÉRIO E CONSERVADORISMO

A prática recomendada é que os administradores nas suas projeções de receitas e despesas, busquem um cenário mais conservador, porque um otimismo exagerado pode levar a situações delicadas ao final do exercício fiscal (receitas efetivas menores que as projetadas e despesas efetivas maiores que as previstas).

CONTABILIDADE: QUANDO O ORÇAMENTO VIRA REAL

Na sequência deste artigo utilizaremos os dados publicados nos Balanços auditados dos 30 (trinta) principais clubes brasileiros que frequentaram a Primeira Divisão de 2013 até 2017 (os Balanços de 2018 ainda não foram publicados). Entendemos que uma análise de 5 anos minimiza grandes desvios que possam ocorrer de um ano para o outro em função de antecipação de receitas (especialmente direitos de TV) e a grande variância observada na venda de direitos federativos dos atletas.

RECEITAS

Não precisa ser especialista em nada para concluir facilmente que quanto maior for a receita, mais possibilidades você terá de administrar de maneira adequada (e vencedora dentro do campo) o Clube.

Ainda mais se tratando do nosso Glorioso, que como todos sabem, a duras penas tem se mantido de pé e há cerca de 4 anos (e pelo menos nos próximos 8 ou 10 anos), já começa todo ano tendo que contingenciar entre R$ 60 e R$ 75 milhões para honrar com parcelamentos tributários, fiscais e trabalhistas.

TEMOS RAZÃO DE RECLAMAR?

Infelizmente a análise das receitas sob vários critérios, indica que temos sim, que reclamar dos nossos administradores que têm demonstrado menor capacidade que os rivais no quesito “gerar receitas”.

RIO DE JANEIRO

Analisando apenas os rivais do Rio de Janeiro (lembrando que as receitas aqui consideradas são aquelas exclusivamente auferidas com futebol, brutas – antes de qualquer dedução fiscal ou de outra ordem, excluindo-se receitas patrimoniais, do clube social ou com outros esportes), em 2013 nosso Botafogo obteve uma fatia de 26% das receitas dos 4 grandes (R$ 178 milhões). Chegamos a 2017 com a participação de 18% (R$ 224 milhões). Durante os 5 anos somados (2013 até 2017), de novo chegamos a 18% (R$ 804 milhões).

BRASIL (clubes da 1ª Divisão)

Há muito o botafoguense mais atento sabe que somos um clube que dispensa apresentações quanto a tradição e história marcantes, mas que nossa capacidade de gerar investimentos é mediana (e está caindo) e de aplicar recursos é da média para baixo, em função do grande serviço das dívidas que temos que pagar a cada ano.

E os números não mentem: os citados R$ 178 milhões representavam em 2013, 6,5% das receitas dos clubes da Primeira Divisão. Chegamos a 2017 com os R$ 224 milhões representando 5% do mesmo bolo. Para finalizar, os R$ 804 milhões dos 5 anos da análise representam 4,5% de tudo que os clubes auferiram com o futebol.

GRUPOS DISTINTOS

Nos 5 anos analisados, temos 4 grupos bem distintos de clubes, dentre os 20 principais (sempre lembrando: receitas brutas exclusivamente com futebol), ordenados por ordem decrescente de receitas:

GIGANTES (receitas entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões): Flamengo, Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

GRANDES (receitas entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão): Internacional, Cruzeiro, Atlético MG e Grêmio.

MÉDIOS (receitas entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão): Santos, Fluminense, Vasco, Botafogo e Atlético PR.

PEQUENOS (receitas entre R$ 200 milhões e R$ 500 milhões): Coritiba, Bahia, Sport, Vitória, Goiás, Chapecoense e Ponte Preta.

A nossa posição, há muito tempo cristalizada como 12º maior Orçamento preocupa demais não só pela magnitude, como também porque vem se afastando cada vez mais dos grandes e observa no seu “espelho retrovisor” alguns médios e pequenos se aproximando.

ORÇAMENTO 2019

Mas o que nos mostram as receitas previstas do Orçamento recentemente divulgado? Têm grandes possibilidades de se realizarem? São conservadoras? São otimistas demais?

Vamos analisar as principais, comparando com o que ocorreu de fato nos últimos 3 anos divulgados (Balanços de 2017, 2016 e 2015):

Sócio TorcedorR$ 6 milhões

2017= R$ 7,7 milhões; 2016 = R$ 2,4 milhões e 2015 = R$ 4,5 milhões.

Receita diretamente proporcional ao desempenho da equipe nas competições. Possível de conseguir e talvez superá-la.

Direitos FederativosR$ 40 milhões

2017= R$ 7 milhões; 2016 = R$ 10 milhões; R$ 2015 = R$ 5 milhões.

Sabendo que as receitas com as vendas de Matheus Fernandes e Igor Rabello foram para fechar o ano de 2018, consideramos o número fora da realidade do que temos conseguido até o momento.

Direitos de transmissões de TVR$ 102 milhões

2017 = R$ 127 milhões; 2016 = R$ 101 milhões; R$ 2015 = 54 milhões.

Bem factível até pelo razoável grau de previsibilidade. Já estão previstos R$ 7,5 milhões de antecipação para alcançar este número. A partir de 2019 pelo menos 1/3 do bolo, também guardará relação direta com o desempenho da equipe em campo.

Patrocínio (Publicidade/Placas/uniformes/direitos de marketing) R$ 56 milhões

2017 = R$ 19 milhões; 2016 = R$ 9,5 milhões; 2015 = R$ 10 milhões.

A não ser que já exista um Plano de Marketing, no geral, muito agressivo, que venha para mudar radicalmente o “modus operandi” e geração de recursos desta área dentro e fora do clube, entendemos que este número é extremamente otimista, para não usar outra expressão. Torcemos muito, mas consideramos improvável e muito mais difícil de atingir do que o projetado para “Direitos Federativos”.

Estádio Nilton SantosR$ 5,7 milhões

2017 = R$ 16,2 milhões; 2016 = R$ 3,8 milhões; R$ 2015 = R$ 7,1 milhões.

Número que tinha alcançado um outro patamar em 2017. Não conhecemos o que pode ter acontecido ao longo de 2018 que possa ter provocado, em princípio, uma projeção tão modesta.

Após à votação esperamos conhecer mais detalhes para comentar de maneira mais embasada. Com o que foi veiculado na imprensa até o momento, alguns números estão difíceis de entender qual o critério que foi utilizado.

Saudações Alvinegras.

Crédito da foto: FolhaOnline.es

Clique para Comentar

Newsletter

Anúncio Patrocinado

Facebook

%d blogueiros gostam disto: