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Profissionalização do futebol brasileiro é a saída para independência financeira de clubes

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Gustavo Hazan, líder da área de Esportes da EY Daniel Kalume, sócio do Mota Kalume Advogados

Dia 19 de julho, comemora-se o Dia Nacional do Futebol.

O presente ensaio tem como intuito defender e reforçar manifestação publicada no Estadão de 12-4-2019, quanto a urgente necessidade de se profissionalizar o futebol brasileiro com regras de gestão e eficiência administrativa, como único caminho para sua independência financeira.

O melhor e mais criativo futebol do mundo está no Brasil e precisa definitivamente ser tratado como uma indústria considerando a importância para a economia nacional, geração de empregos e pagamento de tributos. Notamos, nos últimos anos, uma evolução significativa considerando o crescimento de quase 100% no faturamento dos clubes nos últimos 8 anos.

Apenas para ilustrar a força econômica do Futebol no Mundo, a primeira divisão do Campeonato Inglês gera anualmente quase €5 Bilhões enquanto a Bundesliga cerca de €4,5bilhões. Apesar de ser importante observar fatores econômicos como PIB e renda per capita destes mercados, estes valores demonstram a capacidade da indústria do futebol de geração de riqueza para um país.

A evolução desta indústria do futebol no Brasil perpassa principalmente por um movimento dos Clubes. Já é possível verificar modelos vencedores como do Flamengo e Palmeiras que em 2018 representaram um quarto da receita total dos 27 principais clubes do país. Nestes casos, os Clubes ainda operam como associações sem fins lucrativos, mas implementaram projetos de alteração de modelo e gestão de longo prazo.

Outro modelo interessante é o caso do Bragantino que foi recentemente adquirido pela multinacional de bebidas Red Bull que já detinha outros 04 clubes pelo mundo e implantou um modelo totalmente profissional com fins lucrativos (pagando imposto regularmente como qualquer empresa) e já demonstra resultados positivos dentro de campo liderando a série B do nacional.

É de extrema importância que os Clubes reflitam quanto ao modelo que será adotado levando em conta que dificilmente um possível investidor terá segurança para aportar recursos financeiros em um time com caráter associativo que mude de gestão a cada três anos (ou menos) e que as decisões são tomadas considerando aspectos políticos dos associados e não objetivos como existem nas empresas.

É indispensável também que um grupo de Clubes que apresente dificuldade de fluxo de caixa, alto nível de endividamento e baixas receitas recorrentes avaliem a possibilidade de transitar para um modelo profissional totalmente apartado das atividades sociais para possibilitar a captação de recursos e buscar resultados financeiros e esportivos positivos.

Vale mencionar, ainda, outras mudanças que ocorrem atualmente no mercado brasileiro. Destacamos as oportunidades que serão geradas com a comercialização dos direitos internacionais de transmissão, bem como as oportunidades derivadas de apostas esportivas.

Em conclusão, as oportunidades estão nas portas dos clubes brasileiros. Existem projetos de lei em análise no Congresso que irão incentivar os Clubes para estas mudanças considerando segurança jurídica e tributação diferenciada. Entretanto, entendemos que os clubes que se anteciparem à aprovação da Lei (sem aguardar o tempo do Congresso Nacional) terão uma imensa vantagem competitiva perante aos demais concorrentes (adversários) e assim como em qualquer área, sobreviverão apenas aqueles que conseguirem se adequar à nova realidade desta indústria cada vez mais profissional.

*Daniel Kalume, sócio do Mota Kalume Advogados; Gustavo Hazan, líder da área de Esportes da EY

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