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ROBERTO MIRANDA: O VENDAVAL AMIGO DO FURACÃO

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Roberto Lopes Miranda nasceu em São Gonçalo (RJ) em 31/07/1943.

MAIS UM CRAQUE FORMADO EM CASA

Foi mais uma cria da campeoníssima escola de talentos de Neca na década de 1960, que nos presenteou com Jairzinho, Rogério, Paulo Cézar, Waltencir, Nei Conceição, Afonsinho, Carlos Roberto e muitos outros, além do vendaval Roberto Miranda.

Participando das divisões de base desde 1960, chegou ao Botafogo captado por um olheiro, após ser recusado pelo Fluminense num único teste, no qual só o colocaram nos 5 minutos finais. Agradecendo a incompetência das Laranjeiras, o franzino adolescente Roberto entrou um jogo inteiro no treino dos juvenis alvinegros, fez 3 gols e não saiu mais do time.

Bi campeão juvenil (1961/1962), com o amigo Jairzinho. Ambos subiram em 1963. A fábrica de craques de Neca ainda nos daria os títulos juvenis de 1963/1964 e 1966 e uma geração inteira de ídolos.

A CONVIVÊNCIA COM OS ÍDOLOS

O garoto Roberto que literalmente viveu em General Severiano, encantava-se com a proximidade e convivência com os consagrados Garrincha, Nilton Santos, Quarentinha, Amarildo, Didi e Zagallo, dentre outros e nem se incomodava com a persistente brincadeira da qual era vítima: frequentemente era “visitado” após os treinos por aquelas figuras quando jantava no refeitório e tinha parte da sua comida “roubada”, afinal, aquela refeição era o “tira gosto” deles.

O “VENDAVAL” COMO MARCA REGISTRADA DA CORAGEM E IMPETUOSIDADE

Tendo como espelho o possesso Amarildo, aquele garoto se mostrava tão corajoso quanto seu ídolo e “não fugia do pau” no confronto contra zagueiros bem maiores e mais fortes.

Após muita orientação de seus técnicos, mudou de estilo e jamais ficava de costas, fazendo pivô, para não ser atacado por trás porque não aguentaria o tranco. Passou a utilizar sua técnica, coragem e velocidade, para entrar de frente, rompendo as linhas de defesa adversárias. A combinação de qualidades tão irresistíveis formaram um artilheiro espetacular, merecedor do apelido de “vendaval”(existem fontes divergentes. Não se sabe qual radialista foi o autor do apelido: Valdir Amaral ou Jorge Cury).

O Vendaval: um pesadelo para os zagueiros adversários.

O PREÇO DOS CONFRONTOS

Jogando numa época bem mais permissiva com a violência (não custa lembrar que o advento dos cartões amarelo e vermelho ocorreu na Copa de 1970), Roberto pagou o preço, assim como Amarildo e o amigo Jairzinho, de ser veloz, técnico e corajoso: colecionou fraturas no braço, costelas, queixo e clavícula. Ironicamente rompeu o tendão de Aquiles num acidente doméstico quando sofreu corte profundo ao deixar cair uma garrafa de leite no calcanhar. Diversas e continuadas contusões nos joelhos o fizeram perder muitos jogos, mas o rompimento dos ligamentos cruzados já em 1976 jogando pelo Corinthians, decretaram o fim da sua carreira.

Surreal para os dias de hoje, em jogo terminado com o placar de 1 X 1 contra o Vasco da Gama (em 28/07/1968, nosso gol anotado por Gérson), após o gol de empate, tomou um tapa do zagueiro cruzmaltino Fontana, revidou, os dois se engalfinharam, foram detidos e levados a uma delegacia de Polícia.

TÍTULOS PELO GLORIOSO

Além do bicampeonato juvenil, foi 2 vezes campeão carioca (1967 e 1968), 2 vezes campeão do Torneio Rio-São Paulo (1964 e 1966) e 1 vez campeão brasileiro (1968).

Campeões de 1967 – pela ordem, em pé: Paulistinha, Manga, Zé Carlos, Carlos Roberto, Leônidas e Waltencir. Agachados: Rogério, Gérson, Roberto, Jairzinho e Paulo Cézar.

 

A escalação dos campeões de 1968 num Maracanã lotado, dispensa qualquer comentário.

 

09/06/1968 – Botafogo 4 X 0 Vasco da Gama na final do Carioca. Roberto anotou o primeiro gol e comemora (Rogério, Jairzinho e Gérson anotariam os outros).

TÍTULOS INTERNACIONAIS: UM DOS MELHORES TIMES DO MUNDO

Num período espetacular, Roberto foi figura decisiva em conquistas internacionais.

Campeão do Hexagonal do México em 1968 (com participações do Toluca, Estrela Vermelha da Iugoslávia, Seleções Mexicanas e Ferencvaros da Hungria), fazendo 5 gols na excepcional campanha. O parceiro Jairzinho deixou 6…

CARACAS: A MINI COPA DO MUNDO

Mas sem dúvida, os títulos de Caracas de 1967, 1968 e 1970, foram os mais importantes por serem considerados à época uma pequena Copa do Mundo.

Em 1967 superamos Peñarol e Barcelona; em 1968 a Seleção Argentina (1 X 0 gol de Jairzinho) e o Benfica do fantástico Euzébio (2 X 0, gols de Jairzinho e Roberto) não foram páreo para nós e em 1970 vencemos a seleção da União Soviética (1 X 0, gol de Roberto) e o Spartak Trnava da Tchecoslováquia.

O Glorioso era um esquadrão temido e reconhecido no mundo todo.

A AMIZADE COM JAIRZINHO

Contemporâneo de Jairzinho desde os tempos de juvenil, formou com ele uma dupla irresistível de ataque, frequentou a seleção e também foi Campeão Mundial em 1970. A harmonia em campo fez florescer uma amizade verdadeira e duradoura até os dias de hoje.

Foto recente de duas lendas na frente de uma foto comemorativa.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Numa época pródiga de grandes jogadores, Roberto Miranda começou a fazer parte do grupo da seleção brasileira em 1969 nas eliminatórias.

Apesar da forte concorrência (esportiva e política no auge da ditadura) de Toninho Guerreiro, Dadá Maravilha e até Dirceu Lopes que poderia ser mais um no meio de campo da Seleção, desde que Jairzinho jogasse como centroavante, Roberto ganha junto com Paulo Cézar o status de “décimo segundo jogador” sendo o reserva imediato do cracaço Tostão.

De fato na campanha do tri, participou de 2 partidas: substituiu Tostão contra a Inglaterra e Jairzinho contra o Peru.

14/06/1970: após o 4 X 2 contra o Peru, Roberto cumprimenta o mestre Didi que era o técnico do selecionado peruano.

UM ARTILHEIRO INCONTESTÁVEL

Roberto envergou nosso manto em 352 oportunidades, anotando 154 gols. Na Seleção Brasileira participou de 18 partidas e fez 9 gols. Em curtíssima passagem pela Gávea, jogou 11 partidas pelo Flamengo anotando 3 gols e em fim de carreira e vítima de muitas contusões jogou 77 vezes pelo Corinthians e fez 21 gols.

O SR. ROBERTO E O AMOR AO ALVINEGRO

Roberto Miranda hoje vive com tranquilidade, conforto e saúde. Frequenta academia diariamente (se denomina “um viciado em exercícios”), trabalha num projeto social para distribuir remédios à população carente e quando tem oportunidade declara o seu amor a uma de suas paixões: “O Botafogo foi tudo na minha vida. Tudo que eu tenho hoje eu devo ao Botafogo.”

Tranquilidade na piscina. (crédito: Museu da Pelada/Marcelo Tabach)

RECONHECIMENTO

Caro Roberto, é difícil descrever a idolatria e o agradecimento que temos a você. Talvez uma simbologia sutil, possa explicar melhor. Você já reparou quem te acompanha no “Muro dos Ídolos” ?

Roberto Miranda entre Amarildo e Quarentinha no Muro dos Ídolos… noites de insônia para quantos zagueiros ? (crédito:@tadeunak Instagram)

Apenas e Sempre Botafogo ! Saudações Alvinegras !

Pesquisa:

http://odia.ig.com.br

http://futebolsaudades.blogspot.com.br

http://www.museudapelada.com

http://terceirotempo.bol.uol.com.br

wikipédia e arquivos pessoais do autor.

Colaborador: Felipe Souza Cruz

Crédito da foto principal: futebol saudades blogger

Demais fotos sem menção de crédito: desconhecidos

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