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SANDRO: “…FOSTE HERÓI EM CADA JOGO…”

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Sandro Barbosa Carneiro da Cunha, o nosso Sandro Guerreiro, nasceu em Recife em 17 de fevereiro de 1973.

INÍCIO

Começou nas categorias de base do Sport Recife e aos 18 anos, realizou sua estreia como profissional. Foi campeão estadual e da Copa do Nordeste em 1994. Em 1995 foi eleito o melhor zagueiro do Campeonato Pernambucano. Em 1996 volta a ser campeão Pernambucano. Chega no final de 1996 ao Santos, permanecendo até o fim de 1998.

QUANDO FOI ESCOLHIDO, NÃO ESCOLHEU

Inicialmente jogando por empréstimo em 1999, neste mesmo ano tem os seus direitos federativos adquiridos, em definitivo, pelo Glorioso.

Honrou cada minuto que envergou o manto alvinegro até 2004, em 183 partidas marcando 28 gols.

SANGUE, SUOR, FIBRA E LÁGRIMAS

Para usar uma palavra muito em moda no futebol de hoje: intensidade… este termo resume inquestionavelmente cada momento de Sandro em campo. Um jogador que sempre ao término dos jogos, nas vitórias e nas derrotas, deu-nos a certeza que tinha entregue toda a energia, suor e lágrimas disponíveis.

E em cada um dos seus 28 gols, brindou-nos com o gesto eternizado dos punhos cerrados e dos vigorosos tapas nos antebraços, extravasando sua emoção e compartilhando com torcedores e companheiros a sensação de dever cumprido, conquistado por cada gota de sangue e fibra muscular.

Botafogo 2 X 1 Flamengo em 10/10/1999, Campeonato Brasileiro. Sandro comemora o seu gol. Valdir faria o outro.

UMA DECISÃO DECEPCIONANTE

Logo em seu primeiro ano de Botafogo, Sandro experimentou uma decepção que poderia indicar um mau presságio: ele foi um dos jogadores que participaram daquele frustrante 0 X 0 com o Juventude em 27 de junho, na final da Copa do Brasil, no Maracanã, diante de 101.581 alvinegros (recorde histórico de público na competição) tristes com o nosso vice-campeonato.

Anel superior do antigo Maraca tomado por alvinegros na final contra o Juventude em 1999

REBAIXAMENTO E DESABAFO NA PORTA DO VESTIÁRIO

Mas, tempos desafiadores e mais difíceis estavam por vir para testar a garra daqueles que não desistem, não por falta de alternativas, mas sim por trazerem no seu espírito a certeza de que lutar é sempre necessário.

A desastrosa campanha da equipe no Campeonato Brasileiro de 2002, culminou naquele 17 de novembro, quando perdemos para o São Paulo por 0 X 1 em Caio Martins e decretamos nosso rebaixamento em último lugar entre os 26 participantes, caindo com Portuguesa de Desportos, Palmeiras e Gama.

Sandro que havia sido expulso no jogo contra o São Paulo, simbolizou toda a decepção e frustração alvinegra ao quebrar a porta do vestiário naquele dia triste para a nossa história.

RESPONSABILIDADE E RAÇA NÃO TÊM DIVISÃO

Após o desastre, a Diretoria do Botafogo desfaz-se de praticamente todos os jogadores com o objetivo de montar uma equipe dentro do perfil de série B: tanto no tocante a custos, como no quesito experiência, garra e entrega. Sobrariam apenas dois jogadores que participariam da campanha de 2003, comandados por Levir Culpi, com a responsabilidade de retornar à Primeira Divisão: o meio-campo Almir, formado em nossas divisões de base e Sandro.

Sandro inclusive rejeitou algumas propostas (Grêmio, Vasco e Flamengo ele se lembra…) e assinou novo Contrato para a série B ganhando a metade do que ganhara no ano anterior na série A. A braçadeira de capitão estava entregue para não sair mais do seu braço.

O QUE É COMPLICADO, NAQUELA ÉPOCA ERA UM POUCO MAIS…

Cabe relembrar que no ano de 2003, a CBF ainda promovia uma adaptação do número de clubes nas 4 divisões do Campeonato Brasileiro com o intuito de administrar melhor o calendário do futebol.

Sendo assim, pelo segundo ano consecutivo, a série A rebaixaria 4 clubes, mas a série B só promoveria 2 (campeão e vice). Este processo iniciado em 2002 terminou no final de 2004 fazendo a transição de 26 clubes na série A para 20 clubes, número inalterado até hoje e aí sim funcionando com 4 rebaixamentos e 4 acessos anualmente.

Não é necessário alongar-se mais e imaginar a pressão que os dois gigantes (Palmeiras e Botafogo) daquela série B sofriam com a obrigação de voltar imediatamente após a queda no ano anterior, conquistando 1 das 2 vagas possíveis.

RETORNO À PRIMEIRA DIVISÃO (COITADA DA PORTA…)

Após um Campeonato Carioca no qual amargamos um quinto lugar atrás inclusive do Americano, além dos outros três grandes, iniciamos pressionados nossa campanha na série B, em 26 de abril, jogando em Goiânia e perdendo para o Vila Nova por 1 X 2 (nosso gol anotado por Fábio). Não seria nada fácil…

Mas o fato é que fomos nos reerguendo e ao final de 35 duras partidas, voltamos para a série A, conquistando o segundo lugar no Campeonato (o Palmeiras foi o campeão) e o capitão Sandro contribuiu decisivamente, além de marcar 8 gols, sendo um dos cinco principais artilheiros do time, embora jogasse na zaga.

E uma cena repetiu-se, agora ornada por lágrimas alegres: em 22/11/2003, na penúltima partida, no mesmo Caio Martins, após a nossa vitória de 3 X 1 contra o Marilia que sacramentou nossa volta à série A, Sandro que fez um dos gols (os outros 2 foram de Camacho), reencontrou aquela porta do vestiário, aquele sparring inanimado, mas duro… aquele emblema que não trazia boas recordações… a pobre porta foi quebrada novamente numa verdadeira catarse de toda a torcida alvinegra, transmitida pelas redes de TV.

A comemoração do histórico gol contra o Marília

FIM DE CARREIRA

Para um longo e aliviado suspiro (e dizem, um tímido sorriso da maçaneta) da porta do vestiário de Caio Martins, Sandro saiu do Glorioso em 2004 para jogar no Belenenses de Portugal. Permaneceu em Portugal até 2005 quando jogou pelo Naval. Voltou em 2005 ao Brasil e até encerrar sua carreira em 2010, ainda vestiu as camisas do Sport, Guarani, Vitória e Santa Cruz.

Neste período sagrou-se campeão baiano em 2008 pelo Vitória e campeão da Copa Pernambuco no mesmo ano pelo Santa Cruz.

TÉCNICO DE FUTEBOL

Sandro Barbosa (é assim que chamam os professores) chegou ao Santa Cruz no fim de 2010, com a missão de ser diretor de futebol, mas logo desistiu da ideia e passou a ser auxiliar-técnico de Zé Teodoro. Sandro participou da Comissão Técnica bicampeã pernambucana em 2011 e 2012 e conquistou o acesso à Série C de 2012. Ao todo, foi auxiliar em 91 jogos, acumulando 48 vitórias, 19 empates e 24 derrotas. Deixou o Santa Cruz logo após a saída de Zé Teodoro, ao término da Série C de 2012.

De 2013 até 2016 tem tentado a carreira de técnico com alguns períodos de trabalho em especial no Santa Cruz.

 

RECONHECIMENTO, ATENÇÃO DO ÍDOLO, MAS E OS TÍTULOS?

Por toda sua história e exemplos, nosso Sandro Guerreiro tem o reconhecimento da torcida alvinegra que o imortalizou no Muro dos Ídolos ao lado de tantos craques inesquecíveis.

Apesar de não ter sido campeão com o manto da Estrela Solitária, Sandro pode se orgulhar de outro título que conquistou: um lugar eterno no coração alvinegro.

Sandro e a sua imagem gravada para sempre no Muro dos Ídolos

Sandro tem se mostrado sempre solícito, educado e emocionado em especial, nos contatos frequentes que mantem com os torcedores alvinegros.

Isto é estimulante para todos nós, mas saiba Sandro que a homenagem que não nos cansamos de fazer tem um único motivo: pouquíssimos jogadores encarnaram como você, aquela frase do nosso hino: “…foste herói em cada jogo…”.

Sim, herói, não no sentido infantil da imortalidade, invencibilidade e da perfeição… mas herói no sentido mais apropriado do termo: aquele que não esmorece nunca, mesmo após uma dura derrota da qual ele tira lições para se reerguer mais forte ainda.

É Sandro… você está bem acompanhado… e cito apenas um super craque eterno que nunca levantou um caneco com o nosso manto: Heleno de Freitas.

Parece que os Deuses do futebol escolheram a você que conquistaria o nosso coração como ele, para 40 anos após a sua morte, ser protagonista de duas frases célebres do Heleno: “o Botafogo não é lugar para covardes” e “não sou jogador de futebol, sou jogador do Botafogo”.

Numa casa alvinegra especial: André Botafogo e família

Nosso Sandro, um grande guerreiro na galeria de ídolos alvinegros!

Apenas e Sempre Botafogo! Saudações alvinegras!

Pesquisa:

http://diariodobotafogo.brasildiario.com/

www.globoesporte.com

www.folha.uol.com.br

https://esportes.terra.com.br

https://encontrodasestrelasbotafoguenses.blogspot.com

www.wareporter.com.br/

www.falaglorioso.com.br

Wikipédia e arquivos pessoais do autor.

 

 

 

 

 

 

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