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Segundo motim no Botafogo: cobrança pública à diretoria, novo líder e velhos problemas

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Jogadores mudam a estratégia do silêncio por exigência a um basta nos atrasos, e Gabriel, de 24 anos e com apenas nove meses de clube, aparece como voz ativa em pronunciamento

Em um dos anos mais difíceis da história alvinegra, falar de asfixia financeira, cofres combalidos e atraso é chover no molhado dentro do Botafogo. Virou uma dura rotina para atletas e funcionários. A diferença é que os jogadores têm se posicionado. Se em julho, no primeiro motim do grupo, a opção foi pelo silêncio, agora líderes botaram a cara e cobraram publicamente a diretoria. Carli, principalmente preocupado com os funcionários, foi claro: para eles, basta.

– (O incômodo é por falta de) perspectivas e também por ser uma coisa muito generalizada, há a situação dos funcionários. Somos seres humanos, não somos máquinas. Nós, representando o grupo, falamos que isso tem que acabar. Não pode acontecer mais – cobrou o argentino.

Líder inesperado

Carli teve a companhia de João Paulo, outro jogador com bom tempo de casa e serviços prestados, e de Gabriel, líder inesperado. Quando a assessoria de imprensa informou aos repórteres presentes ao Nilton Santos que três atletas fariam um comunicado, todos esperavam pelo argentino e por João, mas imaginavam que o terceiro porta-voz ficaria entre Cícero e Diego Souza.

Surgiu Gabriel, de 24 anos e com apenas nove meses de Botafogo. Mostrou maturidade ao responder prontamente quanto o clube devia aos jogadores – após confirmar com João Paulo -, admitiu que ajudam funcionários com dinheiros e cestas básicas e falou firme, dizendo que isso não pode ser normal.

– A gente fica muito insatisfeito de passar por esse momento. A gente tenta abraçar (os funcionários) e blindá-los ao máximo. Sabemos que a situação é complicada. A gente sente muito no coração isso de ver o funcionário triste e de cabeça baixa. A gente tenta ajudar com o pagamento de um boleto ou um cartão para vê-los felizes de novo.

Time traz a torcida para si

A reação ao manifesto do elenco foi altamente positiva junto à torcida nas redes sociais. Tendo o Twitter como base em pesquisa feita pelo GloboEsporte.com, a maioria apoiou as palavras do trio e cobrou que a torcida lote o Nilton Santos contra o Atlético-MG, domingo, às 16h, a fim de dar força ao elenco e protestar contra a diretoria.

Na quarta-feira, os alvinegros Thiago Franklin, ex-blogueiro do GloboEsporte.com e jornalista, e Thyago Mendes criaram uma vaquinha virtual para o pagamento de cestas básicas aos funcionários. Após o manifesto de Carli, João e Gabriel, o botafoguense Hamilton Júnior mobilizou, via Facebook, torcedores a levarem alimentos para o Estádio Nilton Santos antes do jogo com o Galo.

Apareceram rivais para tirar sarro, mas a maioria de alvinegros foi favorável às palavras do capitão e principal líder da equipe.

Fechados com Eduardo Barroca e Anderson Barros

Na coletiva, João Paulo garantiu que nem cogitaram a possibilidade de não entrar em campo, como fez o Figueirense contra o Cuiabá pela Série B. Em julho, quando ficaram em silêncio, aventaram a possibilidade de não treinarem. Desistiram e preferiram focar nos treinamentos.

Não baixar a guarda esportivamente, além de um compromisso com eles próprios, também significa lealdade a Anderson Barros, gerente de futebol, e ao treinador Eduardo Barroca, dois profissionais que pautam seus discursos com transparência e são uns dos mais atuantes na busca por apagar incêndios.

Anderson tem conversas frequentes com as principais lideranças do grupo. Adota um pagamento escalonado, ou seja a folha nunca é quitada integralmente. O acerto é feito de acordo com as necessidades de cada um. Na quarta-feira, por exemplo, um pequeno grupo de atletas que ainda tinha a folha de junho em aberto recebeu o salário na carteira.

O dirigente, que não esconde o incômodo com a situação e se irrita com a publicação de notícias a respeito de pagamento de salários por se tratar de uma obrigação, deu razão à cobrança dos atletas. Apesar de avesso aos microfones, não se furta de cobrar ações e soluções da diretoria.

Vexames em 2019

Se no campo, o Botafogo teve péssima campanha no Carioca e acabou eliminado na Copa do Brasil pelo Juventude, da Série C, hoje faz bom papel no Brasileiro. Institucionalmente, porém, o clube teve sua imagem muito arranhada.

Em julho, a luz de General Severiano foi cortada por falta de pagamento. Nesta semana, foi a vez de o fornecimento de água no Nilton Santos ter sido interrompido pelo mesmo motivo.

As inúmeras dívidas fizeram o Botafogo procurar constantemente os beneméritos Carlos Augusto Montenegro e Claudio Good. Fizeram diversos empréstimos durante o ano, o último deles para pagar os salários de junho dos jogadores. Anteciparam junto aos dois os R$ 2,25 milhões que receberam posteriormente pela venda de Jonathan ao Almería. O valor da transferência, aliás, revoltou a torcida.

Hoje, ambos já cogitam suspender o apoio financeiro nos próximos meses, já que não concordam com o investimento em esportes olímpicos, especialmente no basquete, em detrimento das divisões de base do futebol, que geram ativos e receitas.

Tentativa desesperada de vender atletas, e nota oficial da discórdia

Para conseguir sobreviver, o Botafogo colocou em seu Plano de Metas que mirava R$ 77 milhões em vendas de atletas em 2019. Conseguiu um pouco mais da metade com as saídas de Igor Rabello, Matheus Fernandes, Gláuber e Jonathan – os dois primeiros considerados joias e muito queridos pela torcida.

– Não fossem a saídas de Rabello e Matheus, o Botafogo fecharia em abril – afirmou uma importante figura alvinegra.

Se no início da temporada seguraram Gatito Fernández após proposta do Grêmio, a venda na janela do meio do ano era tratada como a salvação. Ainda há a remota esperança de que chegue uma oferta de países como Emirados Árabes e Catar, onde a janela ainda está aberta.

Valorizado após a Copa América, competição na qual foi eleito o melhor em campo nas quatro partidas que disputou, passou a receber muitas sondagens. Dentro do clube, havia a expectativa de uma proposta da Arábia Saudita, mas esta não se concretizou.

Durante a apuração, os setoristas do Botafogo consultavam dirigentes importantes sobre a possível venda de Gatito. Um deles respondeu: “Não é verdade, não há proposta, mas tomara”.

Conforme os rumores sobre a transferência cresciam, o Botafogo, em nota oficial, tratou de negar propostas e garantiu que o objetivo era mantê-lo. Muitos dirigentes discordaram da publicação da mesma. E torcedores confrontaram o clube lembrando que em 2017, também em comunicado, afirmaram que não venderiam Bruno Silva, algo concretizado na mesma janela.

Fonte: globoesporte.com

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