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Sobre Paixões e Loucos

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Salve Helenos e Helenas! Primeiramente, é um prazer imenso usufruir desse espaço a convite do André Botafogo para dirigir-me ao torcedor alvinegro, em especial aos que acompanham a Rádio Botafogo.

Por se tratar da primeira vez, decidi que uma breve apresentação seria de bom tom. Meu nome é Társilo Delphim Coutinho, 43 anos, casado, merecedor de duas grandes honras na vida: Ser Portelense e Botafoguense. E por que digo que são honras merecidas? Todos nós sabemos da velha máxima de que não escolhemos o Botafogo e sim, ele nos escolhe. No caso da Portela ocorre fenômeno parecido, só que com encantos diferentes. E essa primeira conversa que teremos aqui trata justamente desse fenômeno que nos move: A paixão inexplicável e imensurável que nutrimos desde que os primeiros sons em nossos ouvidos tornaram-se palavras e que mais tarde passaram a simbolizar e traduzir algo maior.

Na minha infância, deitado na minha cama com meu pai sentado ao meu lado e de meu irmão mais velho, víamos Garrincha driblar, Nilton Santos comandar, Jairzinho estufar as redes e Manga fazer defesas milagrosas. Tudo pelos olhos e narrativas do meu velho. Até os meu seis anos de idade, o Botafogo sempre esteve invicto, segundo meu pai, a minha única e mais confiável fonte até então. Certo ou errado, ele nos cercou de glórias, embora ele sabia que nosso clube à época já era acometido de insucessos e amargava um longo jejum de títulos. Mas, nada importava. Quando tomei consciência do que realmente era o Botafogo e lembrava-me de meu pai e suas histórias, a paixão só aumentou. Ele não mentiu pra mim, pelo contrário. Com todo amor que um pai pode ter pelos próprios filhos, ele nos acariciava contando suas versões.

Tantos anos mais tarde, ele não vai mais ao estádio. Prefere a televisão, os jornais e o rádio. Ele é um homem de seu tempo, porém no tempo dele havia Armando Nogueira, João Saldanha, Luís Mendes. Alvinegros da crônica esportiva que defendiam com vigor o clube e que sempre faziam com que estivéssemos representados nos debates e programas esportivos que participavam em todas as mídias.

Os tempos são outros e as mídias são mais variadas. Entretanto, ao invés de ganharmos pluralidade de opinião, os debates e prioridades do jornalismo esportivo parecem combinados dentro uma mesma sala, independente do canal, redação ou estúdio. Os quatro grandes de São Paulo, Flamengo, Cruzeiro e Atlético, Grêmio e Internacional parecem dominar as pautas. Especialmente os cinco primeiros possuem uma cobertura ostensiva de treinos, entrevistas, matérias frias, documentários, jogos, pós-jogos. Haja o que houver, o Botafogo, salvo raríssimas exceções, ganha pouco quando algum destaque e não tem o seu dia-a-dia coberto decentemente, como merece um clube dessa envergadura.

É aí onde quero chegar. A Rádio Botafogo é fruto da paixão de uns alvinegros amalucados e ousados, que simplesmente se cansaram do descaso, displicência e parcialidade de uma mídia comprometida até a medula com interesses não declaráveis. E não há como a nossa paixão não ser tocada por um movimento dessa natureza. Você alvinegro, que só se informa sobre o Botafogo pelos veículos tradicionais de mídia, é levado a crer que torce por um clube menor, de linda história remota, porém que devido à tantas administrações no mínimo equivocadas, diminuíram o clube, como se fosse possível um gigante apequenar-se. O Botafogo continua gigante. Sua torcida também continua sendo muito expressiva. Nem de longe afirmo que vivemos o melhor dos cenários, mas também não nos tornamos o que querem nos fazer crer diariamente as tais mídias tradicionais e seus inúmeros “especialistas”. E só é possível ter essa consciência quando as coisas do nosso clube, boas e más, nos são ditas como devem ser. A Rádio Botafogo, além de outros blogueiros, vlogueiros apaixonados com seus respectivos canais, assume o papel de ser e fazer o que os outros veículos tradicionais não farão pelas razões já citadas. Por isso apoio a Rádio Botafogo de todas as formas possíveis. Por isso quero estar perto desses loucos apaixonados e românticos cheios de histórias que contarão ou já contam aos seus filhos na hora de dormir. Por que o futebol definitivamente não se resume a vinte e duas pessoas correndo e chutando uma bola por um gramado. Prestigiar os canais como a Rádio Botafogo significa fazer germinar, alimentar, cuidar bem de nossa paixão. Com parcialidade sim, senhores e senhoras. E com o Botafogo sempre em primeiro lugar. É por isso que estou aqui. Pela minha paixão. Pelo Botafogo. Pelo meu pai.

Társilo Delphim Coutinho

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