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Sócio da EY explica como funciona o projeto para sanear o Botafogo

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Em reunião nesta terça-feira, a diretoria do Botafogo aprovou a sequência do projeto liderado pelos irmãos João e Walter Moreira Salles para sanear o clube. A proposta envolve a criação de uma empresa que assumiria toda operação do futebol do clube, receitas e obrigações, e pagaria a dívida com o dinheiro obtido em um fundo de investidores. O total previsto de investimento inicial gira em torno de R$ 300 milhões.
Para o projeto andar, ainda são necessárias vários passos. O Conselho Deliberativo do Botafogo precisa aprovar, e os investidores do fundo precisam conseguir captar esse valor inicial previsto – será feito por meio de FIDIC, fundo registrado com remuneração prevista. Há 20 executivos botafoguenses envolvidos, entre eles os Moreira Salles. O dinheiro será devolvido em 30 anos com remuneração por juros.
O sócio da EY Alexandre Rangel é um dos responsáveis pela estruturação do projeto, juntamente com o escritório de advocacia Trengrouse. Em entrevista ao blog, ele explica cada detalhe do projeto:

Blog: Como funciona a estrutura jurídica do projeto para sanear o Botafogo?

Alexandre Rangel: Tem algumas características. Não tem separação entre o social e o futebol. O que será feito é uma cessão de direitos. Cessão de direitos dos ativos do Botafogo para a SPE (Sociedade de Propósito Específico), e da operação do futebol. O prazo determinado é de 30 anos. Haverá um fundo para captar o dinheiro para pagar todas as dívidas do curto prazo e longo prazo. Em troca, (o fundo) receberá uma remuneração. Com 30 anos, acaba e devolve ao Botafogo. Certamente terá toda a dívida paga.

Blog: Qual o valor previsto de investimento?

Alexandre Rangel: Há três momentos. Com R$ 300 milhões, resolve as dívidas curtas prazo. Qual o compromisso da SPE? Não é só em cima de R$ 300 milhões, vai continuar remunerando o clube para pagar a dívida até quitar todos os R$ 700 milhões (com parcelas do Profut). Certamente essa dívida aumentou com percalços de 2019 então tem que levantar o valor. Então serão 13 anos de pagamento anuais até quitar o Profut. Pode ser um valor bem maior do que R$ 700 milhões.

Blog: E o investimento previsto no futebol?

Alexandre Rangel: Esse investimento no futebol é para um nivelamento do time. Com o pagamento da dívida de curto prazo, vai sobrar mais dinheiro em caixa para o clube. Fizemos a conta, e o Botafogo vai ter mais dinheiro para investir. Só que com essa liberação de caixa, o orçamento do Botafogo não é adequado para se manter na Série A. Não é situação segurança (de não ser rebaixado) e é fundamental que não caia. Então, serão R$ 20/30 milhões por ano (para o futebol). Máximo garantido possível. Depois do quarto ano, não vai precisar mais.

Blog: Então, o total é de R$ 300 milhões com as dívidas de curto prazo e o futebol?

Alexandre Rangel: Tem que botar mais dinheiro para o CT para botar o CT de pé. R$ 200 milhões que é da dívida, não sabemos exatamente o valor. Se pega a dívida de curto prazo, não é só R$ 200 milhões. A questão é quanto vai conseguir do deságio com o pagamento imediato. Precisamos entender qual será o deságio para saber se é viável.

Blog: Quais os próximos passos?

Alexandre Rangel: Há investidores que têm interesse, e há interesse do clube. Vamos fazer um due dillegence (espécie de auditoria nas contas). Há um modelo que os dois lados entendem ser viável. Parece que fecha. Agora tem que ter um aprofundamento. A empresa assume a dívida como um todo em troca da cessão dos direitos. Todos os passivos assumidos agora em 2019. Agora vai começar uma auditoria. Se os números (da dívida) forem confirmamos, a tendência é grande de continuar. A perspectiva é positiva.

Blog: Já haverá assinaturas de contrato?

Alexandre Rangel: O Conselho Diretor do Botafogo aprovou a continuidade do trabalho. Vamos conseguir um compromisso formal. Um memorando de entendimento para começar a trabalhar na operação. Vamos levar ao Conselho Deliberativo para a aprovação. Isso vai aprovar com cláusula condicionante dos dois lados. Do Botafogo, desde que os investidores aportem esse dinheiro. Dos investidores, aprovam desde que o due dillegence não apresente um valor a mais. Temos a presunção de que vai chegar ao entendimento.

Por que a necessidade da SPE e do fundo?

Alexandre Rangel: SPE vai gerir os ativos para os clubes. Se o Botafogo não tivesse um problema tão grave de curto prazo, SPE poderia tocar a operação. Essa operação do FIDIC vai ter que ser feita para na cabeça poder pagar as dívidas de curto prazo. É capitalizar esse fundo.

Como funcionará a transição do Botafogo para essa empresa em termos esportivos, na CBF?

Alexandre Rangel: Absolutamente tem que estar fechado até o meio de dezembro. Estamos falando com a CBF e ela está apoiando. Tem que fazer todo esse arranjo antes dos Estaduais, e Copa do Brasil. Tem que fazer tudo, chamada de devedores. Tem que fazer tudo até o começo de janeiro para que dê tempo para o registro dentro da CBF. Não pode começar o campeonato com um CNPJ e depois mudar. Poderia fazer entre Estadual e o Brasileiro, mas aí teria a Copa do Brasil e Sul-Americana. Tem que estar no campeonato parado. Se não fechar até o final do ano a operação, ficaria para o próximo ano e o risco é muito alto do próprio projeto não se viabilizar. Pode chegar em um ponto que não seja viável.

Havia ameaça à continuidade do clube?

Alexandre Rangel: O ano do Botafogo é dramático. Se houver um rebaixamento, poderia se chegar a um ponto que não tenha mais retorno. O projeto feito por botafoguenses, boa parte dos investidores devem ser. Mas todos esperam um retorno. Tem que ter atratividade se precisarmos de outras fontes. Se não der retorno, fica mais caro pela captação.

Os Irmãos Moreira Salles vão ser os principais investidores? Dá para saber quanto será a fatia deles?

Alexandre Rangel: Não conversamos sobre isso. O trabalho deles acaba hoje teoricamente. A gente trouxe esse estudo. Eles estavam na reunião (de investidores) e temos que conversar com eles e vários outros e quanto vão investir e vão participar. Independente dos irmãos, a ideia é que esse projeto não tenha uma personalidade de um grupo pequeno. Está sendo desenhado para não ter personalizado e, sim, que seja mais pulverizado. Toda estrutura embaixo é remunerada. Todas vão ser remuneradas.

Mas como será a gestão do futebol? Os investidores vão interferir em decisões como contratações ou troca de técnico?

Alexandre Rangel: Se o Conselho quiser tomar participação neste tipo de decisão, sim. Eles vão aplicar como investimento, e o resultado esportivo vai impactar.

Como ficará a divisão do dinheiro que entrará na empresa?

Alexandre Rangel: Botafogo seria superavitário sem a dívida. Parte é para investir no futebol, parte para remunerar os investidores e pagar impostos que são maiores como empresa. Como tem essa capitalização, uma parte do lucro dos investidores vai ser para pagar a dívida. Só lá na frente vai dar uma rentabilidade. Tem que mostrar que dá rentabilidade porque é muito dinheiro para investir.

Quais os desafios desse projeto em termos financeiros e esportivos?

Alexandre Rangel: Botafogo é o clube que tem maior dívida e menor fluxo de caixa. A gente acha que se fecha a conta, mas em um ou dois anos achava que não fecharia. Uma coisa superimportante é ser competitivo para não estar frágil e não ser rebaixado. O grande desafio é agora 2019, é grande preocupação do Botafogo e nossa se for rebaixado. Se for rebaixado, vai ter mais dificuldade. Torcida tem que abraçar o time agora. Todos os grandes botafoguenses vão estar no fundo em 2020. Quem carrega o time agora é a torcida. Tem que entregar para os grandes botafoguenses no próximo ano.

O Botafogo como pessoa jurídica vai estar sob suspenso enquanto o clube-empresa toca o futebol? Como será a transferências de contratos de jogadores?

Alexandre Rangel: CBF vai dar baixa no BID do clube A para o clube B no final do ano. Ele (Botafogo) continua no social e no olímpico. E continua como proprietário do futebol porque é uma cessão. Tem outro benefício, não tem separação no clube por estatuto, só a cessão de direitos. Grosseiramente, fechou um patrocínio master por 30 anos. A propriedade volta para o Botafogo depois disso.

Qual a perspectiva para a captação de R$ 300 milhões? Há sinalizações de que esse valor será levantado?

Alexandre Rangel: Estou otimista que vai haver a captação. Vai haver uma procura muito grande, e a ideia é ser pulverizada. Quanto mais tiver gente pensando, mais chance de dar certo. Não vejam como mecenato, mas como um negócio. Para pepois que aportem um primeiro valor, queiram botar mais dinheiro. Olhar como se olha os clubes na Europa.

Fonte:Blog do Rodrigo Mattos – UOL

DAVID NUNES

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