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Fábio Rocha

Vamos falar um pouco de números?

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FUTEBOL “BUSINESS”

Mesmo tardiamente o futebol brasileiro apresenta nos últimos tempos claros sinais de profissionalização e movimenta a cada ano que passa maiores cifras. Não há mais espaço para amadorismo ou mecenato: ou a gestão é de fato empresarial ou o caminho inequívoco será diminuição e até extinção.

TAXAS VIGOROSAS DE CRESCIMENTO

As Receitas dos Departamentos de Futebol têm crescido a taxas expressivas, mesmo nos períodos de recessão da economia. Como referência se considerarmos os 20 Clubes na Primeira Divisão em cada ano, os valores saíram de R$ 3,1 bilhões em 2012 para R$ 5,1 bilhões em 2017, ou 62% no período com crescimento médio de 10% ao ano.

CUSTO DE CADA PONTO CONQUISTADO NO CAMPEONATO BRASILEIRO

Este parâmetro é utilizado levando-se em conta que o Campeonato Brasileiro, seja qual for a divisão, é a principal disputa que classifica a agremiação para outras competições e pode criar um círculo virtuoso de maiores premiações, exposição da marca e permitirá a composição de um calendário de competições abrangente para a temporada inteira.

Portanto o Orçamento do futebol é permeado com o objetivo primário de conquistar pontos no Campeonato Brasileiro. Outras competições, inclusive continentais, são consequência direta da pontuação conquistada no Campeonato Brasileiro.

Considerando o desempenho médio consolidado dos 20 participantes de 2012 a 2017 e seus respectivos gastos, exclusivamente com os departamentos de futebol (exclui-se deste montante os expressivos gastos que quase a totalidade dos clubes objetos da análise possuem – amortizações de empréstimos financeiros, compromissos trabalhistas, tributários e fiscais), podemos extrair os seguintes indicadores:

Permanência na Primeira Divisão – o clube deve ter uma disponibilidade mínima de R$ 85 milhões anuais;

Classificação na Primeira página da tabela (10º. Lugar) – o clube deve ter uma disponibilidade mínima de R$ 150 milhões anuais;

Classificação no G4 – o clube deve ter uma disponibilidade mínima de R$ 190 milhões anuais.

Campeão da 1ª. Divisão – o clube deve ter uma disponibilidade mínima de R$ 240 milhões anuais.

Valor médio de cada ponto conquistado na 1ª. Divisão:

2012 = R$ 1,9 milhão;

2017 = R$ 3,1 milhões.

É UM INDICADOR IMPORTANTE, MAS NÃO O SUFICIENTE…

É certo que especialmente o futebol, pode ocasionar surpresas (mesmo em mercados mais maduros como a Inglaterra tivemos o recente caso do Leicester), mas o tamanho do Orçamento mostra uma correlação bastante estreita com o desempenho esportivo.

Também devemos ter em conta que qualquer análise estatística nos revela uma tendência e uma região de probabilidade que pode ser corrompida por desempenhos muito ou pouco competentes (os famosos “pontos fora da curva”).

Em outras palavras: não basta ter um Orçamento volumoso, mas ele sempre será determinante.

E um Orçamento pequeno por maior que seja a competência administrativa e esportiva, em algum ano, vai “cobrar a conta”.

E O NOSSO BOTAFOGO?

Ao longo do período analisado, nosso aproveitamento médio é de 45,8% ou 52 pontos, ou ainda uma colocação projetada entre 7º. e 9º. lugares.

A disponibilidade média de recursos é de R$ 119 milhões o que indica um desempenho em campo até ligeiramente superior do que a fria análise dos números nos levaria a supor.

Portanto para sermos protagonistas de novo só existe um caminho: aumentar substancialmente nossa capacidade de investimento e num curto espaço de tempo.

Quem não conseguir (e não apenas nós) ficará para trás e está cada vez mais difícil recuperar espaço num terreno que talvez nem exista mais.

Saudações Alvinegras.

Fontes:

Sports Value (maio 2018).

Balanços Patrimoniais publicados dos 31 Clubes que participaram da 1ª. Divisão entre 2012 e 2017.

Arquivos pessoais do autor.

 

Crédito da imagem: Universia ENEM

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