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Vem, 2020! Especialista vê Botafogo S/A com otimismo: “Referência para os clubes do Brasil”

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O escritório onde o advogado Pedro Trengrouse é sócio está envolvido no projeto de implantação do clube-empresa: “O Botafogo está maduro para realizar a transição”

O ano de 2020 será um marco na história do Botafogo com a profissionalização do seu departamento de futebol. A caminho de se tornar clube-empresa, o Alvinegro assume posição de pioneirismo na elite do futebol brasileiro, e a transição gera uma série de expectativas na torcida e nos dirigentes que tocam o projeto. Advogado especialista no assunto, Pedro Trengrouse vê a Botafogo S/A com otimismo:

– O Botafogo tem tudo para virar a chave logo em 2020. Essa ansiedade é perfeitamente compreensível e não é só da torcida alvinegra não. O futebol brasileiro inteiro está alvoroçado. 

“O Botafogo é pole position. Referência para todos os clubes do Brasil. É difícil dizer exatamente quanto tempo será necessário para que o clube-empresa se consolide”.

– O mercado tem um tempo próprio, e as negociações precisam ser feitas com muita responsabilidade. O importante é que o clube faça tudo que estiver ao seu alcance para avançar o mais rápido possível e possa “combinar tudo direitinho com os russos”, como diria Garrincha, um dos maiores jogadores da história do clube e do futebol mundial.

Próximos passos

– Os próximos passos são: conversar com o mercado, encontrar o investidor certo, afinar os detalhes do negócio e, para maior segurança jurídica, submetê-lo para aprovação final da Assembleia Geral. Vale registrar: essa Assembleia Geral que aprovou a estrutura conceitual desenhada para profissionalizar 100% a gestão do clube (no dia 27/12), através da injeção de investimento empresarial para equacionar o passivo e melhorar o nível de competitividade do time, foi um sinal importantíssimo para o mercado, confirmando que o Botafogo está realmente comprometido e maduro para realizar a transição do modelo associativo para o empresarial. 

O Botafogo já pode ser outro no segundo semestre?

– Tudo depende do mercado e de como o Botafogo conduzirá as negociações. 

Benefícios para o investidor 

– Benefício para investidor é bom retorno para o investimento. Mas é preciso que se diga: esse é um investimento sui generis. Só funciona se houver credibilidade e eficiência na gestão da empresa que ficará a cargo do futebol. É de lá que vem as receitas para remunerar toda estrutura do investimento. Se o clube acertar nisso, todo resto se resolve facilmente. O futebol brasileiro é um bom investimento. O mercado interno ainda tem muito para crescer. Entre os dez maiores campeonatos do mundo, o Brasil é o único em que clubes ainda não organizaram ligas. 

– Outro ponto importante é o mercado externo. O Brasil é o maior exportador de jogadores do mundo. Receitas em dólar, custos em reais. Além disso, essa Lei do Clube Empresa que o deputado Pedro Paulo costurou com o aval do Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se insere no conjunto das novas políticas econômicas e das reformas que o Congresso Nacional vem fazendo para a retomada do crescimento econômico do país. E tem mais, com a Selic no menor patamar da história, o investimento no futebol brasileiro tem tudo para superar a rentabilidade da maioria das aplicações financeiras do mercado. 

Clube-empresa tem espaço no mercado brasileiro?

– Sim. Investimento empresarial, em condições de mercado, será muito bom para o futebol brasileiro. Exatamente como aconteceu em países onde o futebol é bem desenvolvido e há unanimidade: em regra, associações sem fins lucrativos não servem para gestão de futebol profissional. Exemplos como Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Portugal e Estados Unidos onde a esmagadora maioria dos clubes é empresa evidenciam isso. Mesmo na Espanha, onde a lei que obrigou clubes a se organizarem como empresas previu uma exceção para associações que tivessem resultado operacional positivo, os poucos clubes que se mantiveram como associação pagam impostos e a diretoria é obrigada a prestar garantia financeira para a gestão, colocando seu patrimônio pessoal em jogo como se os dirigentes fossem os donos da empresa. 

“O futebol profissional hoje é negócio de bilhões e não pode continuar sendo administrado por estruturas criadas para contar tostões. Onde tudo é de todos, nada é de ninguém. Numa empresa, o patrimônio dos sócios responde pelas falhas da gestão. Esse é o maior incentivo para eficiência”. 

– Clubes associativos não possuem nenhum instrumento jurídico para receber investimento. Empresas podem abrir capital, emitir debêntures e atrair investimentos com segurança jurídica. Clubes associativos têm muita dificuldade para planejamento de médio e longo prazo pela instabilidade de eleições periódicas em que compromissos da gestão anterior muitas vezes são descumpridos sem nenhuma grande consequência, além do aumento da fila de credores. Empresas oferecem muito mais segurança para compromissos de médio e longo prazo, fundamentais para gestão eficiente de um negócio complexo como é o futebol brasileiro hoje. 

“Se o gestor de uma empresa não vai bem, demite-se. Se o presidente de um clube não vai bem, é preciso esperar anos para trocar”.

– Ainda, clubes associativos falidos continuem a existir feito zumbis, empresas correm risco de falir de verdade, o que pode ser ótimo. Quer incentivo maior para mais responsabilidade na gestão? Se falir, outro investidor que compre o que tiver interesse na massa falida e toque adiante.

Globoesporte

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