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(W)VALTENCIR – TANTO FAZ QUAL É A PRIMEIRA LETRA

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(W)Valtencir Pereira Senra, ou para nós alvinegros simplesmente (W)Valtencir, nasceu em Juiz de Fora em 11/11/1946 e faleceu numa infeliz fatalidade, jogando em Maringá (PR) em 17/09/1978, pouco antes de completar 32 anos.

A CURIOSIDADE DA PRIMEIRA LETRA DO NOME

É apenas um fato incomum: quem pesquisar sobre o nosso grande jogador, verá menções numerosas grafando o seu nome com V ou com W (inclusive em legendas de fotografias e recortes de jornais). Por uma questão de respeito aos arquivos e publicações do nosso clube, de agora em diante vou tratá-lo como Waltencir, embora eu não tenha tido acesso a nenhum documento oficial.

Convenhamos, isto não tem a menor importância. O que realmente nos interessa é que ele foi um grande botafoguense, faz parte da nossa extensa galeria de ídolos e cuja história todos nós temos que conhecer.

COMO TUDO COMEÇOU

Em 27/08/1966 em São Januário, garantimos o Título Carioca de Juvenis de 1966 no empate em 2 x 2 com o Vasco da Gama(nossos gols marcados por Rogério e Zezé). Sob o comando de Zagallo, Waltencir além de campeão, cumprira com grande dedicação a missão que tinha sido dada pelo grande Neca das categorias de base naquele ano: “sofrer” a cada treinamento ao marcar o craque Rogério, o ponteiro direito.

Daquele time de juvenis além de Rogério e ele, Wendell também subiria para compor o esquadrão alvinegro nos anos futuros.

Para ele, a oportunidade no time principal logo surgiria, porque em 1967 o craque Rildo deixava o Botafogo para jogar no Santos.

Com Paulo Cézar em pausa no treino

O JOGO DE ESTREIA

Waltencir atuou pela primeira vez no time principal em 11/03/1967 no Maracanã, contra o Atlético-MG pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa que depois viria a ser reconhecido pela CBF, como o Campeonato Brasileiro da época. O jogo terminou 4 X 4. Roberto e Gérson anotaram cada um, 2 gols para o nosso time.

TÍTULOS, PADRÃO TÉCNICO, VERSATILIDADE E LIDERANÇA

Conquistou o bicampeonato Carioca (1967 e 1968) e a Taça Brasil (Campeonato Brasileiro) de 1968.

Comemoração enlameada do título de 1967

Selefogo jogando para Maracanã lotado

Participando de grandes equipes do Botafogo e convivendo com craques que fizeram história tanto no Glorioso quanto na Seleção Brasileira, sempre figurou como titular graças ao seu padrão técnico que não sofria variância e também à sua versatilidade e inteligência: em 1972 com a chegada da estrela Marinho Chagas para ser titular da então inquestionável lateral esquerda de Waltencir, ele rapidamente adaptou o seu jogo e passou a ser opção, e em inúmeras vezes o titular, como quarto zagueiro.

Nesta ocasião sua liderança tranquila e discreta conferiram-lhe a braçadeira de capitão.

Cordialidade entre capitães (Ademir da Guia e Waltencir) no primeiro jogo da final do Campeonato Brasileiro de 1972, no Maracanã.

Duelo com Ademir da Guia no Morumbi, no segundo jogo da final do Campeonato Brasileiro de 1972, observado por Jairzinho (de frente) e Zequinha (o número 7).

LONGA CARREIRA NO GLORIOSO

Ao se despedir da Estrela Solitária no jogo realizado em 13/09/1976, já num amistoso figurando com reservas e juvenis, contra o Machadense (MG) cujo resultado foi 1 X 1 e comandado por Paulo Amaral (nosso gol sendo anotado por Ricardo), Waltencir envergou nossa camisa em 453 jogos, tendo anotado 6 gols. Com esta marca ele só fica atrás de Nilton Santos (721 jogos) e Garrincha (612 jogos).

JOGO PELA SELEÇÃO (?) (SELEFOGO), GOL E OLÉ HISTÓRICO

Em 07/08/1968, 39.375 pagantes testemunharam no Maracanã um jogo histórico para o futebol, quando a seleção Brasileira enfrentou uma seleção tão poderosa e tradicional como a sua: a Argentina, que figurou com sua força máxima contando com Ostua, Perfumo e Basile na defesa, Solari no meio de campo e o artilheiro Yazalde que em 1972 seria transferido para o Sporting de Portugal, aonde ganharia na temporada 1973/1974 o prêmio “bota de ouro” por marcar 46 gols em 30 jogos.

O técnico Zagallo por sua vez, convocou os 11 titulares do Botafogo e entrou em campo para iniciar a partida com 8 deles: Moreira, Leônidas, Waltencir, Carlos Roberto, Gérson, Roberto, Jairzinho e Paulo Cézar.

Conforme descrição da imprensa à época, após o apito final e o placar de 4 X 1 para a seleção Brasileira, quem esteve presente viu uma exibição que dificilmente será vista de novo.

Zagallo empolgado em entrevista logo após o jogo afirmava: “trocamos 52 passes, com os argentinos na roda, até sair o gol do Jairzinho. Foi um lance que dificilmente será visto de novo no futebol”.

Com talvez a mais brilhante exibição de toda a carreira de Gérson, coube a Waltencir abrir o marcador no primeiro tempo, entrando pela esquerda, com um forte chute rasteiro. No segundo tempo a seleção Brasileira (?) (Selefogo) marcou com Roberto 2 vezes e com Jairzinho aos 40 do segundo tempo após ininterruptos 2 minutos e meio de passes… um olé que se tivesse sido filmado, talvez fosse a maior obra prima conjunta registrada da história do futebol.

Coube a Basile marcar o gol de honra da Argentina no último minuto de jogo, quando de fato, os presentes estavam em autêntico delírio com a exibição que viam.

Selefogo no histórico o7/08/1968: Moreira, goleiro, zagueiro central, Leônidas, Carlos Roberto e Waltencir (em pé). Ponta direita, Gérson, Roberto, Jairzinho e Paulo Cézar (agachados).

FIM DE CARREIRA E TRÁGICO FIM DE VIDA

Ainda em 1976 teve breve passagem pelo futebol venezuelano, voltando ao Brasil neste mesmo ano para jogar pelo Colorado (PR).

Em 17/09/1978 em um jogo contra o Grêmio Maringá pelo Campeonato Estadual, no estádio Willie Davis, aos 43 minutos do primeiro tempo, num lance totalmente casual e acidental, foi atingido pelo joelho do meio-campista Nivaldo na nuca…

Waltencir ao cair no gramado sofreu ruptura da coluna cervical tendo morte quase que instantânea.

A equipe do dr. Carlos Eduardo Sabóia ainda dentro da ambulância que levava Waltencir ao hospital decretou o seu óbito.

A notícia da morte de Waltencir já circulava entre os jogadores no início do segundo tempo e Nivaldo ao saber da notícia, foi internado em estado de choque.

Time do Colorado em 27 de agosto de 1978= Em pé: Ari Marques, Waltencir, Queirós, Helinho, Levir e Alexandre. Agachados: Cesinha Domingues (Massagista), Dagoberto, Tirson, Edu, Marciano e Marinho.

Recorte de jornal da época relatando o lamentável fato

FIM DE CARREIRA DE NIVALDO

Recuperado, Nivaldo estava determinado em largar o futebol, mas foi convencido por amigos e familiares a continuar.

Nivaldo voltou aos gramados em outubro.

Posteriormente foi vendido ao Atlético (PR) permanecendo lá por 8 anos e conquistando 3 títulos estaduais em 1982, 1983 e 1985.

Encerrou sua carreira em 1986 no Coritiba.

MAIS UMA ESTRELA EM NOSSA CONSTELAÇÃO

Waltencir morreu jovem, mas deixou seu exemplo de disciplina e dedicação. Participou ativamente de grandes esquadrões alvinegros e de um dos jogos mais incríveis da história do Botafogo e da Seleção Brasileira, marcando um gol.

Dizer muito obrigado é mais que educação e reconhecimento, embora seja muito pouco.

Missão cumprida ídolo! Mais um da nossa incrível galeria!

Apenas e Sempre Botafogo! Saudações alvinegras!

Pesquisa: http://acervo.oglobo.globo.com/; http://terceirotempo.bol.uol.com.br/; acervo.folha.com.br.; https://tardesdepacaembu.wordpress.com; mundobotafogo.blogspot.com; historiadoparanaclube.blogsot.com; Wikipédia e arquivos pessoais do autor.

 

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